"Se falharem as negociações em Bruxelas, a TAP é liquidada", avisa Pedro Nuno Santos

O ministro das Infraestruturas voltou a defender que o plano de reestruturação da companhia aérea devia ser votado pelo Parlamento. "Não podemos ter receio da democracia."

O ministro das Infraestruturas, Pedro Nuno Santos, avisa que se o plano de reestruturação da TAP não for aceite em Bruxelas será o fim da companhia aérea. Em entrevista à SIC Notícias, o ministro deixou claro que o futuro da transportadora aérea não há plano B.

"Se falharem as negociações em Bruxelas, a TAP é liquidada. Não é o plano B, é o que decorre das regras europeias. Neste momento, qualquer auxílio à TAP depende de uma autorização de Bruxelas, se o plano de reestruturação não for aceite, se não der as garantias mínimas que a a prazo que a TAP vai ser sustentável, aquilo que dizem as regras comunitárias é a liquidação da empresa", alertando que "há muitas pessoas e empresas que dependem diretamente" da companhia aérea portuguesa.

Pedro Nuno Santos insiste que o salário base dos pilotos da TAP é superior aos que recebem os pilotos de companhias que concorrem diretamente com a transportadora aérea portuguesa. Em resposta às acusações do presidente do Sindicato dos Pilotos da Aviação Civil, o ministro declara que não fez o exercício de comparação com todas as companhias, mas insiste que os ordenados dos comandantes da TAP são maiores que os que são praticados pela concorrência direta.

"Não disse que estavam acima da média europeia, disse que estavam acima da Ibéria ou da AirEuropa. Os salários são entre 15% e 85% superiores aos da Ibéria e AirEuropa. Nós, neste momento, temos um custo unitário superior a de concorrentes diretos e isso torna a capacidade concorrencial muito díficil. Mesmo que nós tivéssemos muito dinheiro público para injetar na companhia para segurar o nível de emprego e o nível salarial, quando a crise passasse nós voltávamos ao mesmo e a TAP não iria sobreviver", disse.

"O corte na massa salarial, que vai até 25%, é fundamental também para permitir poupar entre 600 a 1000 postos de trabalho", afirma.

Questionado sobre o facto de o plano de reestruturação da companhia não ser votado no Parlamento, Pedro Nuno Santos justifica a sua posição. "Uma intervenção desta dimensão exige um quadro de estabilidade e previsibilidade. Estamos a falar de uma intervenção que tem impacto, sério, em orçamentos futuros e, provavelmente, em governos futuros. Se o Parlamento tem o poder para travar transferências, o parlamento deveria ser ouvido e comprometido com uma decisão que não pode ser interrompida porque a determinada altura os partidos políticas sentem que o ambiente político mudou e os leva a chumbar uma transferência que derrota a TAP", explica.

"Não podemos ter receio da democracia. Se achamos que há uma decisão com impacto brutal, não só em termos sociais, mas nas contas públicas e achamos que é de tal forma impactante no futuro, que o parlamento deve-se comprometer com aquilo que vai ser feito, temos de estar disponíveis para saber: ter a TAP custa isto, não podemos pagar, não podemos ter a TAP e essa é uma decisão livre e legítima que o Parlamento poderia tomar e nós poderíamos viver com ela", acrescenta.

"Temos decisões difíceis regularmente no Parlamento. Esta implica a transferência de mais três mil milhões de euros para uma empresa. Se nós precisamos de um quadro de estabilidade para a companhia, nos devíamos querer exigir que os partidos assumissem posições sobre esta matéria de forma clara e transparente", numa referência à oposição."

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