Se partidos à esquerda "estiverem interessados em garantir estabilidade devem dizê-lo depressa"

Carlos César entende que deve ficar definido desde já se o Partido Socialista pode contar com os partidos à esquerda para assegurar a legislatura. Sem acordo em matéria de orçamento, "não há razão para haver o mesmo Governo".

Carlos César tem um recado para os partidos à esquerda do Partido Socialista: "se estiverem interessados em garantir a estabilidade, devem dizê-lo depressa".

A mais de três anos das próximas legislativas, mas numa altura em que se discute a aplicação dos fundos do plano de recuperação da União Europeia, o presidente do PS não tem dúvidas: "devemos definir desde já se temos ou não temos legislatura".

Isto porque, justifica, há nesta discussão "eixos estratégicos que podem fazer aproximar com facilidade - e com sentido responsabilidade - o governo dos partidos à sua esquerda".

Esta quarta-feira, na última emissão do programa Almoços Grátis, Carlos César destacou que para assegurar a estabilidade no futuro é preciso não só aplicar os "recursos que agora temos ao nosso dispor, mas também ter a capacidade de os executar com o suporte de uma política orçamental clara".

Nesse sentido, os partidos à esquerda "têm de compreender que precisamos de fazer mais investimento estrutural do que gerar mais despesa estrutural".

Carlos César ressalva, por isso, que "não se chegando a acordo sobre orçamentos, não há razão para haver o mesmo Governo".

Apenas uma coisa parece certa desde já: "o PSD não quer fazer um governo com o PS e o PS não quer fazer um governo com o PSD".

Nada que impressione David Justino, que por sua vez, garante que um orçamento aprovado à esquerda "não contará nunca com o apoio do PSD".

Independentemente das alianças, "aquilo que nos interessa é se o orçamento resolve os problemas do país. Vamos viabilizar o orçamento só porque temos medo de uma crise política? Não!"

Depois da austeridade, a "era da frugalidade"

Olhando para a cimeira que reuniu em Bruxelas durante cinco dias os chefes de Estado e de governo dos Estados-membros da União Europeia para acordar o fundo de relançamento da economia, David Justino considera que "ganharam todos".

O vice-presidente dos sociais-democratas aponta nota positiva para a Angela Merkel e Emmanuel Macron, que "tiveram um papel fundamental" para se chegar a acordo, e nota negativa para os "quatro frugais" - Holanda, Áustria, Dinamarca e Suécia - que arriscam mesmo pôr em causa o projeto europeu.

"Tenho de voltar atrás numa crítica que fiz ao primeiro-ministro quando ele disse que não ia haver mais austeridade: o termo pode substituir-se por frugal. Vamos entrar numa era da frugalidade", ironizou.

Fossem os tempos outros e, na opinião de David Justino, Holanda, Áustria, Dinamarca e Suécia mereciam mesmo "outra resposta da parte dos outros países - um boicote". Mas "agora não pode ser", lamenta.

Com Anselmo Crespo

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