"Se saem as pessoas boas, ficam lá só as pessoas que tornam o CDS mais difícil de frequentar"

À TSF, Lobo Xavier diz-se mais preocupado com o Estado da direita do que com o do seu próprio partido.

O conselheiro de Estado António Lobo Xavier defende que o Presidente da República não deve ajudar CDS e PSD a resolverem os problemas internos na hora de marcar a data das eleições legislativas. Num cenário de debandada, este histórico do CDS não abandona a militância, e, em declarações à TSF, Lobo Xavier lamenta ver sair os melhores.

"Entendo as pessoas desiludidas que saem, mas isso não resolve nada, porque saem os melhores. Talvez faça parte da solução do CDS saírem algumas pessoas, mas não os melhores. Eu não preciso de repudiar o cartão de militante que tenho há 47 anos para ser inteiramente livre para dizer o que me apetece e que penso e para tomar as decisões que entendo. Se saem as pessoas boas, ficam lá só as pessoas que tornam o CDS mais difícil de frequentar. Isso não me parece solução, portanto, não tenho nenhuma vontade de sair", sustenta

Ainda assim, Lobo Xavier diz-se mais preocupado com o Estado da direita do que com o do seu próprio partido, referindo-se a Rui Rio e a Rodrigues dos Santos como líderes que estão a dar provas de fraqueza: "Tudo o que seja uma coligação entre o CDS, tal como está, e o PSD, tal como está, parece-me uma coisa tristemente condenada ao fracasso. Eu vejo que estas decisões tanto no CDS como no PSD de não concluírem congressos ordinários que estavam marcados, para os quais havia militantes que se queriam candidatar e formar alternativa é uma decisão fragilizadora. É uma decisão de fracos e não pode vir dá bem nenhum para o país e para o funcionamento da democracia no país."

Lobo Xavier ainda acredita numa alternativa para o CDS, mas para isso é preciso tempo: "Estamos ainda muito a tempo de que essa alternativa se forme com outro entusiasmo e que crie outra esperança, mas neste momento não o vejo. Se eu próprio tiver de sair para a rua a recomendar que o país seja dirigido por estas pessoas que vejo em geral tanto no PSD como no CDS, não sou capaz de o fazer com convicção e com entusiasmo."

Sem querer dar detalhes do que dirá em Belém, o conselheiro de Estado adianta que o Presidente da República deve dar prioridade às necessidades do país e não ajudar Rio e de Rodrigues dos Santos a resolverem os problemas internos.

"A Rui Rio e a Francisco Rodrigues dos Santos convém-lhes as eleições rapidamente, porque só isso permite compreender a sua decisão de não realizarem os congressos ordinários. Eles é que estão a pedir ao Presidente da República em público que lhes resolva o problema interno em que se meteram. Espero que o Presidente da República seja completamente imune a este tipo de pressões táticas destes partidos e que decida pela data que for mais importante para o país", remata.

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