Secretários de Estado fora de Lisboa? Medida "peca apenas por tardia"

Em 2004, também houve um Governo que quis deslocalizar as secretarias de Estado. Por ordem de Pedro Santana Lopes, o secretário de Estado da Agricultura e Alimentação, David Geraldes, por exemplo, foi instalado na Golegã, onde foi criado o seu gabinete.

O Governo prepara-se para triplicar o número de secretários de Estado fora de Lisboa, de forma a deslocalizar as pastas para outras regiões.

Em 2004, por ordem de Pedro Santana Lopes, o mesmo aconteceu seis secretarias de Estado: Juventude em Braga, Ensino Superior em Aveiro, Administração Local em Coimbra, Agricultura na Golegã, Cultura em Évora e Turismo em Faro. David Geraldes foi, nessa altura, instalado na Golegã, onde foi criado o seu gabinete de secretário de Estado da Agricultura e Alimentação. Inicialmente situar-se-ia Santarém, mas David Geraldes conta que não havia espaços disponíveis na capital de distrito.

De acordo com o antigo secretário de Estado, este foi um gabinete curto e eficiente. "Penso ter sido o gabinete do Governo mais pequeno, o menos numeroso em termos de pessoas. Tinha o secretário de Estado, o chefe de gabinete, um adjunto, quatro assessores... Era um total de oito pessoas", refere, em declarações à TSF.

No entanto, David Geraldes entende que esta dimensão "tornava o funcionamento bastante eficaz, porque todos estavam muito entusiasmados e vestiam a camisola".

"Conseguimos um trabalho notável, na altura", salienta o ex-secretário de Estado. "O senhor Presidente Jorge Sampaio pediu ao assessor da Agricultura, Carlos Portas, para ir visitar o gabinete. Passou connosco algum tempo perfeitamente à vontade, com total liberdade de movimentos, e participou nas várias ações. Ao que sei, a impressão foi excelente e foi transmitida ao senhor Presidente da República."

Apesar das críticas possíveis, David Geraldes considera que vale a pena apostar nesta medida. "Se havia críticas a esse sistema? Algumas críticas eram feitas por agentes socioprofissionais ligados ao setor, mas esses sempre criticaram porque esses agentes deslocam-se com frequência, e tanto fazia ser na Golegã ou noutro sítio qualquer", acrescenta, sobre a protagonistas que "vão diretamente a Bruxelas tentar resolver os problemas do seu interesse".

Ainda assim, para o antigo secretário de Estado da Agricultura e Alimentação, esta iniciativa peca apenas por tardia. "Sou um entusiasta desta deslocalização, desta desconcentração, para um contacto direto com os agentes económicos, culturais, sociais. Peca apenas por tardia", assinala.

"Na altura, quando o Presidente Jorge Sampaio dissolveu a Assembleia e o Governo caiu, sucedeu o XVII Governo constitucional, e a primeira medida que tomou foi informar o presidente da câmara que fecharia de imediato a secretaria de Estado", relata David Geraldes, que destaca a "retomada de uma ideia extremamente interessante".

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