Seis meses de Governo. Cavaco Silva acusa Costa de "imobilismo" e "falta de força política"

O antigo Presidente da República fez um balanço dos seis meses de governação socialista. Para Cavaco Silva, manter o ministro das Infraestruturas, Pedro Nuno Santos, em funções demonstra "falta de força política" por parte do primeiro-ministro.

É a convergência que Aníbal Cavaco Silva e Luís Montenegro dizem que o Governo não tem. Ainda não tinha terminado o Conselho Nacional do PSD, uma reunião marcada por acusações de "desnorte" e inação do Governo socialista, quando o jornal Público publicava um artigo de opinião assinado pelo antigo Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva, em jeito de balanço dos seis meses de governação socialista.

Cavaco Silva acusa António Costa de "falta de força política", pela decisão do primeiro-ministro de manter o ministro das Infraestruturas, Pedro Nuno Santos, em funções mesmo depois de o ministro ter desautorizado António Costa, no caso do aeroporto de Lisboa.

"Quem já exerceu essa função sabe que o primeiro-ministro não podia deixar de demitir o ministro. Ao não fazê-lo, evidenciou falta de força política, a razão é ainda uma incógnita, pondo em causa a sua autoridade e, ao mesmo tempo, atingindo a credibilidade do Conselho de Ministros e o respeito pela colegialidade que o deve caracterizar. O ministro, por sua vez, saiu inequivocamente reforçado como candidato à sucessão do primeiro-ministro como líder do PS", pode ler-se.

Para o social-democrata, a António Costa cabe "liderar a política geral do executivo e coordenar, orientar e estimular a ação dos ministros no sentido da realização dos objetivos definidos e garantir a coerência das políticas".

No entanto, Cavaco Silva realça que "os comportamentos politicamente reprováveis de alguns membros do Governo que" podem dificultar a "ação do primeiro-ministro e do Conselho de Ministros e acentuar a sua tendência para a inércia".

O antigo Presidente da República pede ao executivo de António Costa que deixe a "situação de imobilismo" e avance com reformas decisivas para fazer crescer a economia portuguesa.

"Ao fim de seis meses de vida do Governo de maioria absoluta do PS, talvez já existisse informação objetiva que possibilitasse uma avaliação da sua coragem política para fazer as reformas decisivas para colocar a economia portuguesa numa trajetória de crescimento sustentável superior à dos países da União Europeia nossos concorrentes", atira o antigo Presidente da República.

Neste artigo, publicado no jornal Público, Cavaco Silva reforça que, em seis meses, o Governo tem estado "desarticulado e desorientado com ministros desgastados, sem rumo, sem ambição e vontade reformista, um governo à deriva".

Aníbal Cavaco Silva sublinha que, se for para o governo permanecer até 2026, deve mudar de atitude a bem da situação económica do país.

A terminar, Cavaco Silva deixa um apelo aos partidos da oposição para que "apresentem propostas (...) escrutinem intensamente o Governo, denunciem erros, omissões, mentiras e a prática do PS de vetar a chamada de ministros às comissões parlamentares".

E as restantes instituições da sociedade civil também são instadas a agir "através da evidência das consequências para o futuro do país da ausência de uma política de reformas estruturais ambiciosa e persuadindo o Governo a mudar de rumo" e à comunicação social, "através de um escrutínio da ação do Governo para além da respiração do dia-a-dia, num quadro de verdade e de independência em relação ao poder político que a deve caracterizar".

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