"Ser humano admirável." As reações à morte de Jorge Coelho

Foi ministro-Adjunto, da Administração Interna, da Presidência e do Equipamento Social nos governos de António Guterres.

O ex-ministro Jorge Coelho morreu, esta quarta-feira, aos 66 anos. O antigo político e comentador dos programas Quadratura do Círculo e Circulatura do Quadrado da TSF desempenhou três cargos ministeriais nos governos liderados por António Guterres, que o recordou em direto na TSF "um grande amigo muito próximo e muito querido", acrescentando que foi o seu "braço direito no PS".

Também na TSF, o diretor-geral da Organização Internacional para as Migrações, António Vitorino recordou um "ser humano admirável" e um "grande, grande amigo" que deve ser recordado como alguém que "sempre acreditou naquilo que defendeu".

Jorge Coelho foi "sempre igual a si próprio, independentemente de estar no Governo ou na oposição" e tinha uma grande "força interior e perspicácia".

"O contributo para o projeto que António Guterres liderou foi inestimável", assinala. O antigo ministro tinha "uma enorme capacidade de ponderação e de perceber o que estava em causa".

Sobre Entre-os-Rios, quando Jorge Coelho, então ministro, disse que a culpa não podia morrer solteira, António Vitorino destaca-a como sinal da autenticidade do antigo governante.

Nessa mesma noite esteve ao lado de Jorge Coelho o então secretário de Estado José Junqueiro. À TSF, explica que, dos 20 anos que partilhou, com o antigo ministro, a noite da queda da ponte foi a mais complicada.

José Junqueiro soube, já de madrugada, que Jorge Coelho "decidira demitir-se".

Carlos César enaltece frontalidade, clareza e bondade

O presidente do PS, Carlos César, lamentou a "terrível, inesperada e desanimadora notícia" da morte de Jorge Coelho, elogiando a frontalidade, clareza, argúcia, labor, empreendedorismo e bondade do socialista.

"Foi, para mim, como para tantos, uma terrível, inesperada e desanimadora notícia. Fica a faltar mais um amigo. Um amigo, desde que o conheci. Um camarada, nos sucessos e nos insucessos políticos e partidários", referiu Carlos César, numa publicação na rede social Facebook, na qual partilhou o vídeo com a declaração do secretário-geral do PS e primeiro-ministro, António Costa, a propósito da morte de Jorge Coelho.

O presidente do PS elogiou Jorge Coelho por ser um "conselheiro prestante" e "uma fonte de energia, donde brotou muito do que o PS, a política e as pessoas podem ter de bom", ou seja, frontalidade, clareza, argúcia, labor, empreendedorismo e bondade.

"Lembro como, em 1996, ele me acompanhou diariamente na campanha que acabou por dar a primeira vitória regional de sempre nos Açores. E, antes como depois, o seu apoio valioso e fraterno. Fazes falta, meu caro amigo. À tua família. Aos teus amigos. A todos nós", concluiu

Cabrita destaca "extraordinária dedicação ao serviço público e à democracia"

O ministro da Administração Interna destacou a "extraordinária dedicação ao serviço público e à democracia" prestada durante décadas pelo antigo ministro Jorge Coelho e recordou a sua passagem por este Ministério.

"Foi com profunda tristeza que tomei conhecimento do falecimento do Dr. Jorge Coelho, distinto governante português nos XIII e XIV Governos constitucionais e, designadamente, ministro da Administração Interna entre 25 de novembro de 1997 e 25 de outubro de 1999", refere Eduardo Cabrita, numa nota de pesar enviada à agência Lusa.

O ministro recordou que foi no extinto Secretariado de Apoio ao Processo Eleitoral (STAPE), estrutura do Ministério da Administração Interna, que Jorge Coelho iniciou o seu percurso profissional, tendo posteriormente exercido funções fora desta área governativa, à qual voltou como ministro da Administração Interna, no XIII Governo Constitucional, liderado por António Guterres.

"Neste momento difícil para todos os que conheciam e admiravam Jorge Coelho, apresento as minhas condolências e solidariedade, pessoais e como ministro da Administração Interna, à sua família", sublinha.

Eduardo Cabrita presta ainda "uma sentida homenagem ao homem que, durante décadas, serviu Portugal e os portugueses, com uma extraordinária dedicação ao serviço público e à democracia".

"É uma figura incontornável da política nacional"

A ministra de Estado e da Presidência lamentou a morte de "uma figura incontornável da política nacional" que em todas as áreas da sua vida mostrou "enorme dedicação e um espírito combativo ímpar".

Em comunicado, Mariana Vieira da Silva "lamenta profundamente a morte do ex-ministro Jorge Coelho, que assumiu a pasta da Presidência do Conselho de Ministros no XIV Governo Constitucional", apresentando sentidas condolências à família e amigos.

Na perspetiva da ministra, "Jorge Coelho é uma figura incontornável da política nacional" e teve ainda "uma carreira ligada igualmente à administração pública", destacando-se também "como dirigente partidário, analista político e empresário, demonstrando sempre, em todas as esferas da sua vida, grande entusiasmo, enorme dedicação e um espírito combativo ímpar".

Na mesma nota, Mariana Vieira da Silva referiu ainda que Jorge Coelho foi eleito seis vezes deputado à Assembleia da República, pelo PS, e exerceu vários cargos no Governo entre 1995 e 2001.

António José Seguro recorda luta "lado a lado"

O ex-secretário-geral do PS, António José Seguro, definiu Jorge Coelho como "um amigo muito querido", com caráter "lutador" e entusiasmo "contagiante", com quem partilhou ideais e lutou "lado a lado" por causas.

"É muito difícil acreditar que o Jorge Coelho morreu. As palavras atropelam-se neste buraco negro e gelado em que, de repente, caímos, atravessados pela dor da perda brutal", começa por referir António José Seguro na mensagem que enviou à agência Lusa.

O líder socialista entre 2011 e 2014, atual professor universitário, refere depois que com a morte de Jorge Coelho "partiu um amigo muito querido".

"Partilhámos ideais e lutámos lado a lado por tantas causas. O Jorge era um apaixonado pela vida. Saboreava-a como poucos e partilhava-a generosamente com os seus amigos", escreve António José Seguro, que desde 2014 está afastado da vida política ativa.

Para o anterior secretário-geral do PS, Jorge Coelho "era dotado de um caráter lutador e de um entusiasmo contagiante que marcou todas as funções partidárias e publicas que exerceu".

"O seu gesto no fatídico março de 2001 mostrou publicamente a fibra de que era feito o Jorge Coelho. De repente, tudo é tão pouco. Fazes-nos falta, Jorge", observa António José Seguro, depois de fazer alusão à decisão de Jorge Coelho se demitir das funções de ministro, em 2001, na sequência da tragédia da queda da ponte de Entre-os-Rios.

Maria de Belém "devastada" com morte de "amigo excecional"

A antiga ministra socialista e candidata presidencial Maria de Belém disse estar "devastada" com a morte do antigo ministro e ex-dirigente socialista, que recordou como um "amigo excecional" que vai fazer "muita falta".

Em declarações à agência Lusa, a antiga governante e candidata presidencial disse estar "devastada" com a notícia, que a apanhou "completamente de surpresa, como uma tragédia destas apanha as pessoas".

"Era um amigo excecional, uma personalidade da vida política que foi absolutamente central em muitos momentos da vida pública portuguesa, que desempenhou todas as tarefas que abraçou com uma generosidade, uma dedicação, uma alegria e uma força extraordinárias e que sempre deu provas de um agudíssimo sentido de oportunidade na política, mas da oportunidade em termos de prioridade das prioridades", destacou Maria de Belém.

A socialista e sua colega no governo considerou também que Jorge Coelho "era um lutador pelo desenvolvimento do país" e "soube sair quando entendeu que devia fazê-lo, mais uma vez dando um exemplo que marcou a vida pública portuguesa aquando da tragédia da ponte de Entre-os-Rios".

Rui Rio lamenta "profundamente" a morte de Jorge Coelho

O presidente do PSD, Rui Rio, recordou esta quarta-feira o antigo ministro como uma "pessoa afável e de excelente trato", lamentando "profundamente" a sua morte.

"Lamento profundamente o súbito desaparecimento de Jorge Coelho, pessoa afável e de excelente trato, com quem eu tinha uma agradável relação pessoal. Presto-lhe sentida homenagem e envio as minhas condolências à sua família e ao Partido Socialista", escreveu Rui Rio, numa publicação na sua conta oficial da rede social Twitter.

Também o PSD, numa nota de pesar, expressou "consternação" com a notícia da morte de Jorge Coelho, que "a todos apanhou de surpresa".

"Figura marcante do panorama político nacional e do Partido Socialista, Jorge Coelho dedicou grande parte da vida ao serviço público, tendo sido ministro-Adjunto, ministro da Administração Interna, ministro da Presidência e do Equipamento Social nos governos de António Guterres. Posteriormente, a sua carreira passou também pelo mundo empresarial", recordam os sociais-democratas.

Presidente do CDS-PP lamenta morte de "político de grande relevo"

O presidente do CDS-PP lamentou a "triste notícia" da morte do antigo ministro e ex-dirigente socialista Jorge Coelho, aos 66 anos, destacando que "foi um político de grande relevo na vida do país".

"O CDS-PP lamenta profundamente a triste notícia do falecimento de Jorge Coelho e endossa as suas mais sentidas condolências à respetiva família e amigos", refere uma nota enviada aos jornalistas e assinada pelo presidente do CDS-PP.

Francisco Rodrigues dos Santos destaca que "Jorge Coelho foi um político de grande relevo na vida do país, ao qual se entregou no exercício das mais altas funções do Estado, com seriedade, visão e sentido de compromisso".

"Tinha, pois, uma rara forma de estar na política aberta ao diálogo e ao debate leal, procurando as convergências acima das diferenças. Que Deus o guarde", acrescenta o democrata-cristão.

Sócrates recorda "político com uma grande intuição"

O antigo primeiro-ministro José Sócrates lamentou a "notícia trágica" da morte de Jorge Coelho, com quem integrou o Governo de António Guterres, recordando uma pessoa de "extrema jovialidade de espírito" e "um político com grande intuição".

"Era um homem encantador, que fazia amigos facilmente e uma pessoa de uma extrema jovialidade de espírito", destacou à agência Lusa José Sócrates.

Para o antigo primeiro-ministro, entre 2005 e 2011, Coelho era "um político com uma grande intuição, capaz de transformar o sentimento que ele intuía no povo em conceitos que podiam ser usados na retórica política".

José Sócrates e Jorge Coelho integraram enquanto ministros os governos liderados por António Guterres, entre 1995 e 2002.

Sócrates, que confessou que falar de Jorge Coelho é uma ajuda para fazer "o luto da notícia trágica e sem aviso", destacou também a importância do antigo ministro no Partido Socialista (PS).

"Era um homem muito popular no PS, porque a sua linguagem política era uma linguagem muito acessível e que refletia exatamente o sentimento das pessoas, os sentimentos mais profundos", assinalou.

"Foi um belíssimo companheiro ao longo dos anos e recordo-o com saudade, como um bom amigo", acrescentou.

José Sócrates salientou também a "carreira política bem-sucedida" de Jorge Coelho.

"Um dos momentos mais importantes foi a participação que teve na caminhada que fizemos para transformar o PS no partido de Governo em 1995, quando ganhamos as eleições com António Guterres. Era uma espécie de número dois do partido", frisou.

Para o antigo governante, Jorge Coelho era ainda "uma personagem muito respeitada em todos os setores sociais".

"Tinha um leque muito variado de amigos em diferentes quadrantes da política e da vida portuguesa, que o transformava num homem muito requisitado nos círculos sociais", concluiu.

Pacheco Pereira lembra amigo que sempre combateu "pelo interior"

O historiador e político José Pacheco Pereira lembrou a amizade que tinha com Jorge Coelho e recordou a "grande capacidade política" e o "combate pelo interior" do antigo ministro e ex-dirigente socialista que morreu hoje aos 66 anos.

"O Jorge Coelho tinha essa virtude, era uma pessoa amável, um amigo verdadeiro, sem qualquer troca ou esperança de poder receber benefícios dessas relações de amizade", salientou José Pacheco Pereira em declarações à TVI 24.

Jorge Coelho e José Pacheco Pereira foram 'colegas' no programa televisivo 'Quadratura do Círculo', da SIC Notícias e TSF, onde criaram essa amizade.

O comentador político recordou ainda o "momento mais difícil enquanto comentador" quando criticou Jorge Coelho pela saída deste do programa televisivo para "entrar no mundo dos negócios na Mota Engil".

"Sempre achei mal e critiquei-o. Custava imenso porque era difícil criticar uma pessoa amiga. Fiz essa crítica frontal e ele veio mais tarde a elogiar-me pela critica. Esse momento difícil aproximou-nos muito", salientou.

João Soares recorda amigo de "caráter", "coragem" e "grande lealdade"

O dirigente socialista João Soares lamentou a morte de Jorge Coelho, recordando-o como um amigo e homem de "caráter", "coragem" e "grande lealdade", que estava sempre "do lado das soluções".

Em declarações à TVI24, o dirigente e também ex-ministro socialista João Soares disse ter recebido a notícia "com uma imensa tristeza", lembrando Jorge Coelho como "uma grande figura do Partido Socialista, um homem de coragem, um homem de grande lealdade, um homem de caráter".

"Um homem que cultivava as boas relações com as pessoas, mesmo com os seus adversários políticos. Era um homem que aguentava com o maior dos 'fair-play' as críticas que lhe eram feitas. E era um homem que procurava estar sempre, e deu imensas provas nas circunstâncias às vezes mais difíceis, estar do lado das soluções e não do lado do agravar dos problemas", considerou.

O socialista apontou que Jorge Coelho foi "sempre fiel às suas convicções de esquerda", lembrando que até começou "na extrema-esquerda, começou na UDP (União Democrática Popular)" mas que depois "aderiu por inteira convicção ao projeto político do PS", dando um "contributo absolutamente inesquecível".

"Um homem a quem ficamos todos a dever muitíssimo, eu deixo à sua mulher e à sua filha o testemunho da minha profunda tristeza e o mais sincero sentimento de pesar", aditou João Soares, rematando que esta é "uma imensa tristeza para todos os socialistas".

Mota-Engil recorda "profissional de excelência" e agregador de vontades

A Mota-Engil recordou o vice-presidente do seu Conselho da Administração, Jorge Coelho, como um "profissional de excelência, líder empresarial" e agregador de vontades.

Em comunicado, o Conselho de Administração da Mota-Engil afirma que "eram públicas e reconhecidas as suas qualidades como homem de caráter e convicções e enormes as suas qualidades como profissional de excelência, líder empresarial, agregador de vontades, e o seu percurso ficará para sempre ligado ao nosso grupo", notou, em comunicado, a Mota-Engil.

"Era um homem da casa e da Família Mota-Engil, amigo comprometido e empenhado no desenvolvimento e sucesso do Grupo, a quem o Grupo tanto deve e aqui lhe deixa, de forma muito sentida, uma profunda e respeitosa homenagem e, já, grande saudade", refere.

O grupo português recordou ainda Jorge Coelho como um amigo "comprometido e empenhado" no sucesso da Mota-Engil, deixando-lhe uma "profunda e respeitosa" homenagem.

"Amigo, filantropo discreto, socialmente preocupado e comprometido era um exemplo de responsável e empenhada cidadania para todos nós", acrescenta o grupo, endereçando "as mais sentidas e sinceras condolências" à família do empresário e antigo político.

Sporting elogia "anos de dedicação e devoção ao clube"

O Sporting manifestou o seu "pesar" pela morte do ex-governante Jorge Coelho, "enaltecendo e agradecendo os anos de dedicação e devoção ao clube", do qual era sócio desde 1987.

"O Sporting Clube de Portugal manifesta o seu pesar pela morte de Jorge Paulo Sacadura Almeida Coelho, que faleceu esta quarta-feira", referem os 'leões' numa curta nota no seu site.

O clube verde e branco enviou as suas "mais sentidas condolências" aos "familiares e amigos" do seu sócio n.º 9.969-0.

Jorge Coelho, natural de Mangualde, no distrito de Viseu, morreu esta quarta-feira, aos 66 anos.

A partir de 1992, com António Guterres na liderança, Jorge Coelho foi secretário nacional para a organização, contribuindo para a vitória eleitoral dos socialistas nas legislativas de 1995.

Nos governos do PS chefiados por Guterres, foi ministro-Adjunto, da Administração Interna, da Presidência e do Equipamento Social.

Quando a Ponte Hintze Ribeiro, sobre o rio Douro, colapsou na noite de 4 de março de 2001, provocando a morte de 59 pessoas, Jorge Coelho, então ministro do Equipamento, demitiu-se de imediato, afirmando que "a culpa não pode morrer solteira".

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