"O meu projeto de vida é ser presidente da Câmara de Lisboa." Moedas fala dos apoios partidários

Carlos Moedas apresentou as razões entrar corrida à autarquia lisboeta, mas a apresentação oficial da candidatura fica guardada para o momento em que a coligação esteja formalmente fechada.

O ex-comissário europeu Carlos Moedas apresentou esta quinta-feira as razões e objetivos da sua candidatura à Câmara Municipal de Lisboa, garantindo que ser presidente da Câmara Municipal de Lisboa é o seu "projeto de vida".

Numa declaração no Instituto Superior Técnico (IST), explicou que se apresenta como candidato "pelos lisboetas", com um projeto "diferente" para a cidade que diz ser a da sua vida e com o objetivo de congregar as forças "não socialistas, moderadas e progressistas" da cidade e derrotar o PS, na autarquia há 14 anos.

Com "alegria, humildade e grande sentido de responsabilidade" como a base da sua candidatura, Moedas explicou que Lisboa é "de certa forma", a sua terra. Natural de Beja, conta que chegou ao Barreiro e depois "apanhou o barco para Lisboa", onde ia estudar no Instituto Superior Técnico.

"É a cidade da minha vida, será sempre a cidade da minha vida. Viajei muito, passei muitos anos fora, mas voltei sempre a Lisboa, nada se compara com Lisboa", garantiu. "Era o momento de dizer sim à minha cidade, sim à minha cidade que é Lisboa"

"Estamos perante novos tempos", assinalou o candidato, apontando o dedo aos que "estão há 14 anos no poder" camarário e acusando-os de não terem percebido que esses novos tempos "já chegaram". Depois da Covid-19, "uma das maiores reconstruções de que há memória será a reconstrução da nossa cidade", defendeu, colocando-se como fonte de "ar fresco e alternativa ao que têm sido 14 anos de governação socialista."

Na análise à cidade, Moedas considera que Lisboa "perdeu uma certa ligação, uma certa conexão entre a cidade e as pessoas", e, citando "um amigo de Bruxelas", explicou que a cidade "não está a ser planeada para as pessoas nem para as famílias".

A cidade, defende, posicionou-se "no circuito das feiras internacionais e do Turismo muito bem", mas tal "não chega". São uma condição "necessária, mas não suficiente". Moedas diz ter sentido um choque nos últimos cinco anos, citando a pobreza, os sem-abrigo, o trânsito e a sujidade nas ruas. "É uma cidade que não cuida das pequenas coisas", as mais importantes, considera.

"Este projeto é diferente, é preparar a cidade para esses melhores tempos de que vos falo. Apresento-vos da maneira de que gosto, como engenheiro, aquele que é o meu plano. Quero agradecer ao presidente Rui Rio o apoio condicional e ao CDS que também me deu todo o apoio, com entusiasmo, para que continuemos a trabalhar para conseguir congregar", explicou Carlos Moedas.

Questionado sobre se a liderança de Rui Rio no PSD está dependente desta candidatura a Lisboa, Carlos Moedas referiu apenas que o líder do partido "é uma pessoa que deu todo o apoio" a esta iniciativa, mesmo num contexto de pandemia.

"O meu projeto de vida é ser presidente da Câmara Municipal de Lisboa"

Moedas garante que está na corrida "para ser presidente da câmara de Lisboa", tendo deixado "a vida toda" para se concentrar neste projeto.

"O meu projeto de vida é ser presidente da Câmara Municipal de Lisboa", garantiu, acrescentando: "É o meu sonho." "Estou aqui para ganhar, a convicção que tenho é a de que vamos ganhar." No entanto, se não conseguir conquistar o lugar da presidência da autarquia lisboeta, Moedas garantiu que vai "assumir as responsabilidades" dos cargos que lhe forem confiados, incluindo o de vereador.

Para Carlos Moedas, a sua candidatura representa a união do centro-direita que, na opinião do candidato, é muito importante para a democracia.

Sem confirmar nem desmentir qualquer conversa com Marcelo Rebelo de Sousa sobre esta candidatura, Moedas explicou que tem "estado em conversações com a Iniciativa Liberal", que vão continuar, e deixou um apelo aos que "entre a sociedade civil", queiram juntar-se à candidatura. "As cidades mudam-se com o que é muito concreto na vida das pessoas", explicou.

Com uma candidatura com o apoio de tantos partidos, Carlos Moedas foi questionado sobre se não ficará com um projeto demasiado dependente, sem identidade própria. Em resposta, o candidato respondeu que a candidatura "não será uma coleção de partidos", mas sim muito mais do que isso.

"São as pessoas que se encontrarem naquilo que é o nosso projeto e esse projeto não é só meu. As cidades que têm um verdadeiro projeto são aquelas que fazem o desenho com as pessoas. Apresento uma visão das pessoas, da ciência, tecnologia, inovação e da cultura", garantiu o candidato do PSD à Câmara de Lisboa.

A equipa baseada no mérito e a luta com o PS

A sua equipa na autarquia, assegura Moedas, será composta por pessoas dos vários partidos e e também da sociedade civil. O que importa é "o mérito" de cada um.

"O meu critério na vida tem sido sempre o mérito e esse mérito tem vindo sempre de pessoas nos partidos ou ligadas aos partidos. Essa equipa será constituída por pessoas com valor e com mérito, que virão de partidos e da sociedade civil. Queremos conseguir apresentar essa coligação que terá logotipos de partidos mas também de pessoas independentes", afirma.

Sobre a luta com o PS pela liderança da câmara, Moedas garante querer fazer "algo que nunca foi feito" e que leve mais pessoas a aderirem ao projeto que defende.

"Quero que participem, quero que estejam connosco para conseguir este projeto", apelou o candidato autárquico. Questionado sobre o porquê de ter trocado a "tranquilidade" da Fundação Gulbenkian pela corrida a Lisboa, Moedas reforça que a escolha é "emocional e racional", por querer "levar para a frente" o que pensar ser o futuro, porque este "está nas cidades".

Carlos Moedas não quer, para já, apontar o dedo a Fernando Medina, argumentando que "vamos ter muito tempo para discutir esses pontos", mas lembra os lisboetas que há muitas promessas que foram feitas pelo atual presidente da câmara e não foram cumpridas.

"Esses aspetos são claros e é aí que me vou concentrar, no que foi feito e pode ser feito. A habitação é uma das partes mais importantes, vamos ter de reconstruir uma ajuda para todos aqueles que estão mais desprotegidos. Daqui a dez anos vamos perceber como falhámos aos mais velhos, aos mais novos e Lisboa tem uma responsabilidade acrescida", sublinhou o candidato.

"Acho que a educação e os professores deviam ser valorizados e não são", lamentou ainda, antes de agradecer aos polícias "o trabalho que têm feito durante estes tempos terríveis". "Países que não têm instituições fortes não vão por um bom caminho", reforçou.

Nesta sessão, que acontece um dia depois da polémica apresentação da lista de 100 candidatos ou possíveis recandidatos autárquicos do PSD, não estiveram presentes figuras partidárias, mas apenas o candidato, que responderá a algumas perguntas da comunicação social.

À TSF, o coordenador autárquico do partido, José Silvano, explicou que não percebe "onde está a polémica" depois de vários autarcas do PSD terem dito que desconheciam a lista de apoios, que não queriam ser candidatos ou que guardavam para si o timing de apresentação das candidaturas.

Apesar de Carlos Moedas ter sido apresentado na quinta-feira passada como candidato do PSD pelo presidente do partido, Rui Rio, o objetivo é alargar este espaço de apoio.

"O objetivo é que seja uma candidatura o mais abrangente possível, dentro do espaço do centro-direita moderado, e que inclua também pequenos partidos e figuras da sociedade civil de Lisboa", explicou a mesma fonte à Lusa.

Mais tarde, quando estiver formalmente fechada a coligação encabeçada por Moedas, haverá uma apresentação formal da candidatura à capital.

Rio diz que Moedas é "a melhor solução"

O ex-comissário europeu Carlos Moedas foi apresentado como candidato do PSD à Câmara de Lisboa na quinta-feira passada pelo presidente do partido, Rui Rio, que o considerou "a melhor solução" para a capital.

Nessa ocasião, na sede nacional do PSD, Moedas não fez qualquer declaração aos jornalistas e, desde então, apenas agradeceu nas redes sociais os apoios que tem recebido.

"Pessoas dos mais variados setores e todas com o mesmo sentimento, a necessidade de melhorar a vida dos lisboetas e dar a Lisboa o lugar que ela merece. Conto com todos neste movimento", afirmou, numa imagem em que surge o 'slogan' "Por Lisboa, sem medo do futuro".

O presidente do CDS-PP, Francisco Rodrigues dos Santos, reuniu-se com Carlos Moedas logo na sexta-feira e disse que o seu nome merecia "um sólido consenso" para encabeçar uma candidatura conjunta.

O antigo secretário de Estado de Pedro Passos Coelho já se reuniu igualmente com a Iniciativa Liberal, partido que deverá decidir no sábado sobre um eventual apoio.

De acordo com o jornal Público, Carlos Moedas irá também integrar na coligação a Lisboa partidos sem representação parlamentar como o PPM, MPT ou Aliança, entre outros.

Nas últimas autárquicas, em 2017, PSD e CDS-PP concorreram separados à Câmara Municipal de Lisboa, numas eleições ganhas pelo socialista Fernando Medina, que obteve 42% dos votos e perdeu a maioria absoluta na capital.

A então líder do CDS-PP Assunção Cristas ficou em segundo lugar, com 20,6% (perto de 52 mil votos), numa candidatura apoiada também por MPT e PPM e que elegeu quatro vereadores.

Nessa eleição, o PSD teve como candidata a então deputada Teresa Leal Coelho, que ficou em terceiro lugar, com 11,2% (correspondentes a pouco mais de 28 mil votos), elegendo dois vereadores.

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