"Situação política no PSD é extrema e não pode ser ignorada"

Aliança vai para a estrada na próxima semana com oito roteiros temáticos e a meta é criar um grupo parlamentar na próxima legislatura. Santana Lopes acredita que pode conquistar insatisfeitos do PSD, partido que "se dispõe a ser suplente do PCP e do Bloco".

Quem está mal, muda-se. Foi precisamente isso que fez Pedro Santana Lopes quando há um ano bateu com a porta no PSD e decidiu fundar um novo partido .

A Aliança nasceu depois da derrota na disputa interna frente a Rui Rio e agora, a três meses das legislativas, parte para a estrada com oito roteiros temáticos com os quais pretende cativar os eleitores, principalmente os descontentes com as alternativas de centro direita (que é como quem diz: "com o PSD").

"Acho que os eleitores do centro direita não quererão votar em forças políticas que manifestamente têm como principal manifestação de vontade a aproximação ao PS liderado por António Costa e que, durante quatro anos, governou com a frente de esquerda num governo inédito na União Europeia", sublinha Pedro Santana Lopes.

Sem querer falar muito sobre o antigo partido, Santana Lopes descarta a possibilidade de entendimentos com os partidos tradicionais, PSD à cabeça. Até porque, diz o antigo primeiro-ministro, há algo de errado na estratégia da São Caetano à Lapa para a qual olha com "surpresa e estupefação perante uma realidade política que foi pública e notória".

"Quando o partido fundado por Francisco Sá Carneiro se dispõe a ser suplente do PCP e do Bloco e, pelo que li nas notícias, a ser quase destratado pelo Partido Socialista que cortou [com o PSD na Lei de Bases da Saúde]... É uma orientação estratégica desse partido fundado por Francisco Sá Carneiro para o outro lado. O sonho do seu líder [Rui Rio] é, pelos vistos, substituir o PCP e o Bloco nesse apoio a António Costa e ao PS", nota Santana Lopes.

Considerando que a situação política no PSD é "extrema" e que "não deve ser ignorada", Pedro Santana Lopes parte embalado para a pré-campanha com uma forte ambição: não apenas eleger um deputado, mas vários.

"Eleger mais do que um deputado, que elegeremos seguramente. Um grupo parlamentar minimamente razoável já será uma mudança. Até no parlamento com o entrar de gente de partidos novos, eu não sou novo na vida política mas julgo que tenho autoridade para pedir aos portugueses que saibam - como acontece nos outros países - olhar para as novas propostas e dar-lhes espaço", apela o líder da Aliança.

Há uns meses disse acreditar conseguir um resultado de dois dígitos nas legislativas. Agora, está ciente dessa dificuldade, mas tem como meta eleger deputados nos círculos maiores: Lisboa, Porto, Setúbal e Braga.

Vida de estrada

Com 63 anos acabados de fazer neste dia 29 de junho, Santana Lopes vai dar início a oito roteiros temáticos ao longo das próximas oito semanas. "Procuramos aprofundar o nosso conhecimento da realidade do país, ir ao encontro de situações que são complexas, umas difíceis, outras positivas, e que vão ao encontro do que pensamos ser as prioridades mais importantes para Portugal", diz.

Quer isto dizer que a Aliança vai fazer um périplo pelo continente e ilhas sempre subordinado a grandes temas eleitos pelo partido. O primeiro roteiro é dedicado às questões ambientais, mas as grandes bandeiras estão na luta contra a pobreza e a criação de riqueza no país. Os contributos vão ser vertidos no programa eleitoral final e que será apresentado apenas a 6 de setembro.

"Praticamente recuperado" do acidente rodoviário que teve na campanha para as eleições europeias, Pedro Santana Lopes está motivado para esta nova fase. Com 1,86% dos votos na corrida ao Parlamento Europeu, Santana Lopes considera que o resultado "foi um passo positivo" para a Aliança e é com essa base que parte para estes roteiros (leia-se pré-campanha).

"A minha vida agora é liderar a Aliança, cuidar da Aliança, puxar pela Aliança, motivar a Aliança, dar densidade programática e motivacional à Aliança e é isso que quero fazer. É um desafio fantástico", conclui.

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