SNS tendencialmente gratuito? Rio acusa PS de "criar narrativa", Costa mantém acusações

Secretário-geral do PS aponta ao principal adversário uma "habilidade de disfarçar aquilo que está no programa".

O secretário-geral do PS, António Costa, voltou esta segunda-feira a acusar o PSD de Rui Rio de querer que o SNS "deixe de ser tendencialmente gratuito", tendo sido acusado de volta, pelo líder do PSD, de estar a criar uma "narrativa".

No debate a nove, transmitido pela RTP em direto a partir do Cineteatro Capitólio, em Lisboa, com representantes das nove forças políticas que elegeram deputados nas anteriores legislativas, Rui Rio garantiu querer, precisamente, um "SNS tendencialmente gratuito".

"António Costa inventou a narrativa de que queremos pôr a classe média a pagar", explicou o líder social-democrata, que assinalou que o partido diz "em duas páginas" do programa eleitoral" que quer "um SNS tendencialmente gratuito. Por aí, não há dúvidas".

Rui Rio garantiu também que os sociais-democratas não querem "privatizar" o serviço nacional de saúde e recuperou a promessa de Costa, no sentido de atribuir um médico de família a todos os portugueses, para sublinhar que não foi cumprida.

O social-democrata apontou ainda a necessidade de negociar com os setores social e privado no sentido de garantir capacidade de resposta. O presidente do PSD quer um novo modelo de gestão para tornar "o serviço público tão eficaz quanto aquilo que o privado consegue ser".

"Tem de ter mais planeamento, mais organização. O dinheiro que lá está (nos hospitais) é muito e mal gerido", lamentou.

Na sua intervenção, António Costa aproveitou para atacar Rui Rio, defendendo que este "apresentou um projeto de revisão constitucional no sentido de que o SNS deixe de ser tendencialmente gratuito", uma acusação que já fizera no frente a frente com o social-democrata.

"Isto significa que a classe média passe a pagar no SNS", prosseguiu, antes de assinalar que "Rui Rio tem uma habilidade de disfarçar aquilo que está no programa", algo que disse dar "facilidade em entender-se com o IL, o Chega nos Açores e o CDS" ao adversário.

Sobre o tema da saúde em concreto, o secretário-geral do PS afirma que "no ano passado, apesar da pandemia, tivemos mais 2200 cirurgias do que em 2019, mais consultas hospitalares do que em 2019".

"Ainda em janeiro entraram ao serviço mais 2.200 médicos. Neste seis anos temos mais 21 mil profissionais de saúde no SNS", referiu, esclarecendo ter a intenção de "aplicar a parceria que temos com o setor social para responder à necessidade de uma população que está mais envelhecida".

Costa defendeu também que se deve "tornar atrativa a carreira de medicina geral e familiar".

Restantes partidos concordam no diagnóstico de problemas no SNS mas discordam nas soluções

Os outros partidos concordaram na identificação de alguns dos problemas do Serviço Nacional de Saúde, mas discordaram nas soluções.

A coordenadora do BE, Catarina Martins, defendeu que Portugal tem profissionais de saúde, mas que estes "não têm condições para trabalhar no SNS" e deu o exemplo dos médicos que existem mas não se fixam no SNS, insistindo na concretização da dedicação exclusiva.

Numa crítica aos partidos à direita, a líder bloquista apontou que a atual Lei de Bases da Saúde "já diz que quando o SNS não responde terá que utilizar os serviços que os privados têm", acusando estes partidos de "levantar um fantasma que não existe".

"Não há liberdade de escolha se não há resposta no SNS. Não havendo resposta no SNS são as pessoas mais pobres que ficam prejudicadas", defendeu o líder parlamentar do PCP, João Oliveira, advogando que é necessário "contratar profissionais", valorizar carreiras e "assegurar uma capacidade de resposta em função da articulação dos vários cuidados de saúde".

Já Francisco Rodrigues dos Santos, do CDS, deu o exemplo do "Manel".

"O Manel, que está há quatro anos à espera de uma consulta de oncologia e não a tem no SNS, a esquerda o que lhe diz é: tens que continuar a esperar porque a única opção que tens é ter essa consulta no SNS, porque o Manel é pobre e não tem outras opções de escolha", exemplificou, afirmando que os centristas propõem uma "via verde" na saúde que permitiria consultas, cirurgias e exames complementares de diagnóstico no privado, pagos pelo Estado, sempre que o público não consiga dar resposta.

Pelo PAN, a porta-voz Inês Sousa Real argumentou que "é fundamental garantir um robustecimento do SNS e o privado deve ser visto como complementar e não substitutivo".

João Cotrim de Figueiredo, da IL, defendeu um modelo de saúde misto como o holandês ou alemão, advogando que estes têm proporcionado "muitíssimo melhor qualidade de resposta" e André Ventura, do Chega, propôs que se invista mais no SNS e criticou a esquerda por "cegueira ideológica".

Já o dirigente do Livre Rui Tavares disse não trocar o SNS português pelo serviço de saúde da Bulgária ou da Holanda, numa resposta à IL, defendendo um reforço da saúde pública em Portugal.

LEIA AQUI TUDO SOBRE AS LEGISLATIVAS 2022

* com Lusa

Notícia atualizada no dia 18 de janeiro de 2022 às 07h30

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