"Só Agora Começou." Livro de Sócrates ataca o PS e defende que processo serviu para o afastar das Presidenciais

"A política ama a traição, mas despreza o traidor." A frase é o mote do ataque do antigo socialista ao partido a que pertenceu. No seu novo livro, Sócrates defende-se de todos os casos em que foi implicado e ataca de um ao outro lado do espetro político.

José Sócrates aponta a motivação política como principal motor para a perseguição de que se diz alvo através da Operação Marquês, considerando que o principal objetivo de todo o processo foi impedir a sua candidatura às eleições presidenciais.

A tese é defendida num artigo de opinião do brasileiro Folha de São Paulo, em que José Sócrates compara o processo Lava Jato à Operação Marquês, e na pré-publicação do livro "Só Agora Começou", no Diário de Notícias, no qual critica a forma como a Justiça foi instrumento para outros fins.

No paralelismo descrito no diário brasileiro, o antigo primeiro-ministro argumenta que, da mesma forma que o Lava Jato impediu a chegada ao poder do PT, o processo de que é alvo há sete anos impediu o Partido Socialista de chegar ao poder em 2015 e abriu caminho à candidatura do atual Presidente da República, sem adversário apoiado pelo PS. Aliás, na ótica do antigo governante, o PS determinou que "o único líder que teve uma maioria absoluta deveria ser removido da história".

Na perspetiva apresentada pelo antigo líder de Governo, tudo isto foi intencional e arquitetado.

Na obra "Só Agora Começou" o décimo dos 14 capítulos é dedicado a apontar o dedo à atual direção socialista, recorrendo, para isso, a uma citação do brasileiro Ulysses Guimarães: "A política ama a traição, mas despreza o traidor."

Seguindo o mote, o antigo primeiro-ministro garante que não esperava que a direção do partido o atacasse tão injustamente, e considera que, por isso, não lhe restava outro caminho a não ser a saída do PS. Uma saída que, alega José Sócrates, foi tão desejada pela atual cúpula socialista como pela direita.

Nomes e casos concretos

José Sócrates não se escusa a fazer críticas mais diretas, nesta obra em pré-publicação pelo DN: em primeiro lugar, acusa Carlos César pela condenação pública a Manuel Pinho.

António Costa é um nome que, conta também o DN, nunca refere, limitando-se a escrever "o atual líder do PS". Do atual primeiro-ministro e secretário-geral do PS reconhece que nunca contou com camaradagem pessoal e, do ponto de vista político, deixa subentender que o partido que lidera não honrou a própria declaração de princípios no que toca à defesa dos direitos, liberdades e garantias dos cidadãos.

Entre os que absolve, recorda a visita de Almeida Santos, revela saudades de José Lello, dedica um capítulo a Mário Soares e recorda a visita de 15 minutos de Guterres na prisão de Évora. A visita seria de uma hora, mas o atraso do avião e as ordens "vindas de cima", escreve, determinaram que acabasse em pouco tempo.

Sobre esse episódio, confessa ainda: "nenhum de nós" tinha ilusões. Afinal, afiança o antigo primeiro-ministro, os dois políticos não eram ingénuos quanto à política: ambos conheciam a História do país e do que os homens são capazes em certos momentos.

Na obra, em que sustenta que não há provas para os factos de que é acusado e apelida os juízes de "nova arma branca da política", Sócrates fala de perseguição e defende que "a agenda da direita foi pura vingança".

Também Carlos Alexandre não é esquecido, sendo comparado ao juiz brasileiro Sergio Moro, a quem nunca poupou críticas.

* e Catarina Maldonado Vasconcelos

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