Tabu ou "não tema"? Futuro da direção da bancada do PSD (ainda) em segredo

Luís Montenegro prometeu começar a transição esta semana e está a fazê-lo: já se reuniu com Rio e com Mota Pinto. Neste momento, o grande tabu é saber se o novo presidente vai querer mudar a direção da bancada. Em 2018, defendeu que Hugo Soares não tinha de colocar o lugar à disposição, mas...

O tema já foi levantado várias vezes e nunca com resposta clara, agora ganha mais relevância uma vez que Luís Montenegro já se reuniu, à vez, com Rui Rio e com Paulo Mota Pinto. Vai ou não o atual líder parlamentar continuar no cargo em articulação com o novo presidente? Ninguém revela.

Rui Rio não se mete porque diz que não tem nada que ver com esse assunto. Depois de conhecida a reunião surpresa entre presidente em funções e presidente eleito, Rui Rio foi questionado pelos jornalistas no parlamento e não podia ter sido mais claro a chutar para canto: "não é conversável comigo, não é da minha conta".

Explica o ainda presidente que, no que diz respeito a alterações nos órgãos do partido, ele é "responsável até dia 1 ou 2 de julho" e que "não quer alterar nada". Vai de insistir na pergunta, vai de receber a mesma resposta: "Não é da minha lavra, não me vou meter nisso. Seria de muito mau tom, agora que estou de saída, estar a meter-me onde não sou chamado".

Com Rio fora do baralho, restam duas cartas. No caso de Paulo Mota Pinto, o líder parlamentar decidiu não falar sobre o assunto. Logo pela manhã, foi questionado por deputados na reunião da bancada e, ao que apurou a TSF, deu uma resposta vaga. À saída da reunião, não fez declarações aos jornalistas.

Mais tarde, num almoço promovido pelo International Club of Portugal, Mota Pinto também foi questionado por um comensal sobre eventuais aspirações relacionadas com a cadeira de presidente e foi claro. Dizendo que "não esteve nem está nos planos", considerou "deselegante" falar do tema com as eleições internas ainda tão a quente.

Ainda assim, aproveitou para deixar um elogio e uma manifestação de disponibilidade: "Acho que [Luís Montenegro] pode trazer uma dinâmica de combate político que espero que - e farei todo o possível - para que favoreça o PSD".

Pouco depois, reunia-se também em segredo com Luís Montenegro tendo sido o presidente eleito do PSD quem informou da reunião através do Twitter.

No parlamento, o corredor do PSD agitava-se como há muito não se via e, desde logo, com perguntas sobre a reunião. Questionado pelos jornalistas mais do que uma vez, Mota Pinto não quis falar, mesmo depois de ter estado também reunido com Rui Rio. "Comigo não", diz à saída do grupo parlamentar social-democrata, remetendo declarações para terceiros. Assim sendo, segunda carta fora do baralho.

Será a liderança da bancada um "não tema" para já?

Sobra, portanto, Luís Montenegro. Além de ter sido tema de campanha, Montenegro foi questionado na noite da vitória sobre mexidas na bancada e, na ocasião, referiu que tinha já marcado um encontro com Mota Pinto, para esta semana, "para articular e coordenar o trabalho a fazer entre a direção do partido e a direção do grupo parlamentar". Aí referiu também que "o mandato da atual direção política e do seu presidente só vai cessar no próximo congresso".

Com esta ressalva, a primeira pista é a de que, até julho, Mota Pinto tem o lugar assegurado. Mas e depois? Deve o atual líder colocar o lugar à disposição? De acordo com Montenegro de 2018 não, mas...

No rescaldo das eleições que levaram Rui Rio ao poder na São Caetano à Lapa, Luís Montenegro defendeu na TSF que, "a confiança do líder parlamentar depende exclusivamente da vontade dos parlamentares, essa coisa de pôr o lugar à disposição do líder do partido não existe, quando muito pode pôr à disposição da bancada parlamentar".

Para Luís Montenegro de 2018, a questão era, à época, um "não tema", mas que era empolada pela excitação dos dias que se seguiram à eleição de Rio. "É preciso ter calma, não há aqui nenhum cronómetro", defendia.

No entanto, apesar de vincar que Hugo Soares não tinha de colocar o lugar à disposição, Montenegro também reconhecia que era Rui Rio quem tinha de ver se "a direção do grupo parlamentar eleita" tinha "condições para uma colaboração ativa permanente".

"Não há dúvida nenhuma de que a direção da bancada parlamentar do PSD goza de uma grande confiança dos parlamentares do PSD, não há dúvida nenhuma, ficou expresso nas eleições de há meio ano e tem ficado expresso já com o desempenho desta direção e, em particular, do seu líder que tem feito um trabalho de combate político excecional nos debates quinzenais com o primeiro-ministro", defendeu Montenegro sublinhando que isso era um "dado que deve ser tido em linha de conta".

Então, como agora, a questão da unidade do partido também se colocava e Montenegro reconhecia que ela devia ser construída, "por quem ganhou e por quem perdeu", mas "com maior responsabilidade de quem ganhou". "Quem ganhou tem de tomar as opções que possam contribuir para construir essa união", referia o agora presidente aos microfones da TSF.

No remate: "Tudo depende das condições que forem criadas para que haja uma colaboração estreita entre a direção partidária e da bancada e seus parlamentares. Nenhum presidente do PSD terá sucesso a fazer o seu caminho contra os seus deputados, nem nenhum grupo parlamentar terá sucesso no seu combate, a fazer o seu trabalho, contra as orientações da direção política do partido".

Sobra então a pergunta, de acordo com Montenegro de 2018, se há condições para uma colaboração ativa permanente entre as direções do partido e da bancada, ficando o também o lembrete de que Paulo Mota Pinto foi eleito líder parlamentar com uma esmagadora maioria de 92% dos votos da atual bancada do PSD.

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