Tauromaquia? "Não conseguem juntar mais que 20 pessoas, incluindo o Chicão e o Ventura"

O porta-voz cessante do PAN, André Silva, abriu o congresso do partido em tom de despedida.

André Silva deixa o Pessoas-Animais-Natureza (PAN) depois de dez anos à frente do partido, seis deles na Assembleia da República. O porta-voz cessante, no discurso de abertura do VIII congresso, que decorre em Tomar, passou em revista o passado do partido, e pediu que o Governo "aposte verdadeiramente" nas alterações climáticas.

O "histórico" líder começou por falar sobre o combate à tauromaquia, uma das principais bandeiras do partido, e com uma referência a André Ventura, líder do Chega, e a Francisco Rodrigues dos Santos, presidente do CDS, soltou a primeira gargalhada na sala.

"Há seis anos zombavam e sentiam-se intocáveis, hoje em dia fazem abaixo assinados, petições e espante-se, ações de ativismo no Campo Pequeno em que até se algemam aos portões. Não conseguem juntar mais que 20 pessoas numa manifestação: sete cavaleiros, seis matadores, três bandarilheiros, dois emboladores, o Chicão e o Ventura", disse, perante o aplauso dos delegados.

E continuou: "Dizem que a tauromaquia é parte da herança cultural do nosso país. Sim, é verdade. Assim como a escravatura, a Inquisição ou a caça à baleia, legados culturais que 2 não nos merecem qualquer saudosismo. A tauromaquia faz falta à cultura portuguesa como um acordeão a um funeral."

As críticas ao Governo também se fizeram ouvir. André Silva pede que se aposte realmente nas alterações climáticas, e lembrou os avanços e recuos com a polémica construção do Aeroporto no Montijo.

"Não podemos aceitar que o mesmo Governo que gosta de se afirmar o campeão da alterações climáticas, seja o mesmo que quer construir, a todo o custo, um aeroporto no Montijo. Não podemos aceitar que o mesmo Governo que oferece mais de 10 milhões de euros ao baronato da caça, seja o mesmo que não tem dinheiro para apoiar os municípios no cumprimento das leis de proteção animal, como a do não-abate", atirou.

E para Inês Sousa Real, futura líder do partido, André Silva deixou também uma mensagem. O porta-voz cessante mostra confiança no futuro, mas diz que o PAN tem de continuar a adotar uma postura construtiva, mas com cautelas.

"É importante que o PAN mantenha uma atitude que, sendo construtiva, não se deixa acantonar à esquerda ou à direita, e não renuncia à sua autonomia para agradar a pretensos patrões políticos. É importante que o PAN, enquanto partido de charneira, continue a ser capaz de construir pontes para conseguir avanços nas causas, que não se transforme num partido do sistema, que não se institucionalize, ou seja, que não normalize o discurso, que não corrompa as suas linhas programáticas adoçando-as", defendeu.

André Silva foi o primeiro deputado do PAN na Assembleia da República, sai do partido para se dedicar à parentalidade. E, nas palavras de André Silva, "os políticos não se devem eternizar nos cargos".

Inês Sousa Real ainda não está em Tomar, no congresso, a atual líder parlamentar do PAN sofreu uma queda no passado fim de semana, numa iniciativa do partido, e encontra-se em repouso.

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