Temer lamenta atitude de Bolsonaro ao não receber Marcelo

Ex-presidente brasileiro encontrou-se em São Paulo com Marcelo Rebelo de Sousa e lamentou aos jornalistas os atos do atual Chefe de Estado do Brasil. Ainda assim, não acredita que tal belisque as relações. Na imprensa brasileira, há quem chame o que aconteceu de "vandalismo diplomático".

A situação causa algum embaraço, apesar de todos os esforços de Marcelo para desvalorizar o incidente, e Michel Temer, ex-presidente brasileiro, vem a público lamentar o sucedido. "Uma boa conversa do presidente de Portugal com o presidente do Brasil seria extremamente útil, é uma pena que tenha acontecido esse desencontro", frisa Temer à entrada para uma conversa com Marcelo num hotel paulista.

Se tivesse sido consultado por Bolsonaro, Michel Temer naturalmente que expressaria uma visão diferente daquela que acabou por acontecer. "Se me pedisse um conselho, que não é o caso, eu daria um palpite: 'receba o presidente Marcelo Rebelo de Sousa, é nosso parceiro, presidente de Portugal, além de ser uma figura finíssima, delicadíssima, extremamente bem formado e bem-educado'", elogia Temer lembrando que o encontro também seria útil por estarmos "num período histórico muito importante que é o bicentenário".

Sem querer adjetivar a atitude de Bolsonaro, Michel Temer acredita que a diplomacia tem "muita consciência da relação com todos os países, mas especialmente com Portugal" e, por isso, não teme nenhum choque nas relações. Apenas, fica o lamento do cidadão Temer pelo desencontro porque, ao não ter nenhum cargo público, não está em condições para falar em nome do Brasil.

Indubitavelmente, este foi o tema que acabou por marcar a visita de Marcelo dos dois lados do Atlântico, sobretudo na imprensa. Esta segunda-feira, por exemplo, há um artigo muito crítico da postura de Bolsonaro e que é assinado na Folha de São Paulo pelo investigador em relações internacionais Mathias Alencastro.

Nesse artigo de opinião, além de fazer uma resenha do percurso do presidente português, deixando-o, sem sombra para dúvidas, muito bem no retrato, lembra que Marcelo "tem sido um dos raros chefes de Estado a não abandonar o Brasil nos últimos anos". Escreve mesmo que "Marcelo reagiu ao vandalismo diplomático com uma soberba indiferença".

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG

Patrocinado

Apoio de