"Temos de mudar agora." Mesquita Nunes quer ir a votos e surgir "como novidade" nas autárquicas

O antigo vice-presidente do CDS reafirma que o partido está em crise com a liderança de Rodrigues dos Santos.

Adolfo Mesquita Nunes abandonou o Conselho Nacional do CDS, mas voltou e discursou perante os conselheiros. O antigo vice-presidente de Assunção Cristas pediu um congresso extraordinário, para uma mudança de direção imediata.

"Se queremos voltar a crescer, temos de mudar agora. Temos de saber o espaço que é o nosso e ocupá-lo", afirmou por videoconferência.

O antigo secretário de Estado do Turismo, do Governo de Passos Coelho, garante que as guerras internas vão desaparecer com um projeto agregador. "Se queremos vencer as guerras internas, temos de ter um projeto para o país. As guerras internas só se vencem quando há um projeto motivador. Se queremos vencer os partidos emergentes, temos de comunicar melhor do que eles", explicou.

"Não vou fazer isto sozinho. Iniciei este percurso sozinho, sem pedir a ninguém, mas vou trazer gente novo, que acham que o CDS faz falta. Preciso de todos os que aqui estão, até os que nunca estiveram comigo."

Mesquita Nunes sustenta que o partido faz falta para todos os que entendem que "antes do Estado, está a dignidade da pessoa".

"Se mudarmos agora vamos a tempo. Sei que há dúvidas sobre o congresso digital, mas nós vivemos momentos extraordinários e tivemos de virar a vida do avesso. Acham que o obstáculo à mudança é um congresso digital?", questiona.

O antigo governante pede que os militantes aprovem uma mudança "para surgir como fator de novidade já para as eleições autárquicas, com capacidade para chegar às pessoas".

"É essa a minha proposta: que se faça um congresso", concluiu.

Nuno Melo quer congresso antecipado para terminar com "clima de guerra"

Na intervenção de Nuno Melo, o eurodeputado referiu que "não é apoiante do Adolfo, nem do Francisco", mas assume que o CDS está dividido. "Não duvido que o Francisco considere injustas as críticas que lhe são feitas. Mas mesmo assim, devia optar pela água na fervura. Colocar-se numa trincheira não me parece bom. É presidente de todos", apontou.

O eurodeputado critica ainda as acusações de Francisco Rodrigues dos Santos à liderança de Assunção Cristas, e lembra que "alguns dos que aqui apedrejam, aplaudiram-na de pé em congressos".

"O Francisco lutou pelo partido na rua, principalmente no Porto, onde era candidato. É injusto dizer que a votação correu mal no Porto, assim como é injusto dizer que antes correu tudo muito mal por causa da Assunção Cristas", disse.

Nuno Melo lembrou ainda que "o clima de guerra interna não cessará amanhã" e o "CDS não aguentará mais um ano com este clima".

O eurodeputado centrista defende, assim, um congresso extraordinário, "que até poderá reeleger o atual presidente".

João Almeida explica diferenças entre "partidos políticos e seitas"

Com um discurso mais combativo, João Almeida defendeu que é preciso distinguir o partido de "seitas", garantindo que sempre respeitou a direção do partido, mesmo tendo sido derrotado no último congresso.

"Nunca questionei a legitimidade desta direção. Mas nunca me revi nela, não sou obrigado. Desde o primeiro momento acho que vai correr mal. Tenho o direito de discordar e de não acreditar. Nas seitas somos obrigados a acreditar, nos partidos democráticos é suposto termos opinião. E eu tenho a minha", rematou.

Telmo Correia, líder da bancada centrista, voltou a pedir uma reflexão para dar a voz aos militantes, mas lembrou que não é apoiante de nenhuma das fações.

"Não sou apoiante de nenhum candidato. Sou é defensor de um congresso, mesmo que para reeleger o atual presidente", disse.

No mesmo sentido segue Nuno Magalhães. O antigo deputado centrista assume que Francisco Rodrigues dos Santos tem toda a legitimidade para continuar à frente dos destinos do CDS, tendo em conta o congresso de há um anos, mas indica que falta "legitimidade política" à atual direção.

"Estamos a poucos meses de umas eleições que nunca foram fáceis para o CDS", lembra, pedindo um congresso extraordinário para reforçar a condição do partido.

O CDS está reunido num Conselho Nacional para aferir a autenticidade da direção de Francisco Rodrigues dos Santos, depois de um ano de mandato. Adolfo Mesquita Nunes, que forçou a realização da reunião, já assumiu que será candidato se o partido for a votos.

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