"Temos muito para dar ao país." PAN exige dois novos ministérios e promete "abolir touradas"

Inês Sousa Real assumiu que "não podemos ter sempre os mesmos no poder" e rejeitou maiorias absolutas ou blocos centrais.

O PAN mantém muitas das propostas que tem defendido na Assembleia da República, como a abolição das touradas e colocar o bem-estar dos animais na Constituição, e promete agora a criação de dois novos ministérios se chegar ao poder. O partido acrescenta a pesca e a caça desportiva às proibições e quer o salário mínimo nos 905 euros em quatro anos.

O partido de Inês Sousa Real, desde que mudou de liderança, assumiu que o objetivo é chegar ao Governo, seja com PS ou PSD, e apresenta no programa eleitoral dois novos ministérios: juntar as Alterações Climáticas à pasta da Economia e criar o Ministério do Ambiente, Biodiversidade e Proteção Animal.

Na apresentação do programa do partido, Inês Sousa Real assumiu que "não podemos ter sempre os mesmos no poder e o PAN tem muito para dar ao país", rejeitando maiorias absolutas da esquerda à direita.

Já a pensar nas negociações com o partido mais votado, o PAN defende que "tem de ser o clima a ditar o passo", também com um ministério "que dê dignidade à proteção animal".

"Não fomos tão longe como o PAN gostaria, nos últimos anos, e é por isso que queremos avançar mais na próxima legislatura", acrescentou.

Com o PSD a prometer o descongelamento da plantação de eucaliptos, e colocar a floresta e o bem-estar dos animais de companhia novamente no ministério da Agricultura, Inês Sousa Real critica "o saudosismo de algumas forças políticas, que parecem querer voltar aos velhos tempos".

"Portugal é uma caixa de fósforos prestes a arder, não podemos continuar a ter este desordenamento florestal e valorizar o eucalipto em detrimento da floresta autóctone. E mais, a floresta tem de ser um ativo e um promotor da economia verde", defendeu.

Com o bem-estar dos animais na Constituição, uma medida que não é nova, o PAN promete "de uma vez por todas, abolir as touradas" e acrescenta a pesca e a caça desportiva às proibições.

"Vamos continuar a enfrentar este lobby, que se serve dos dinheiros públicos, assim como a pesca ou até a caça desportivo", disse.

Inês Sousa Real acrescentou que "todos os anos" a tauromaquia recebe mais de 16 milhões de euros públicos, e os fundos "têm de ser utilizados para travar as alterações climáticas".

"É a última década que temos para procurar travar os impactos do aumento de temperatura, que muitos cientistas reconhecem já como inevitável. Vamos receber 52 mil milhões de euros de fundos europeus, por via do Programa Recuperação e Resiliência, da PAC, do Portugal 2030 e do REACT", lembrou.

A pensar na coesão territorial, o PAN quer a ligação ferroviária de todas as capitais distrito até 2030, assim como "apostar na ferrovia de alta velocidade e ligar Portugal à bitola europeia".

"Precisamos de deixar o automóvel mais vezes em casa, sem precisar de uma viagem de uma hora para chegar ao Porto", disse, referindo-se ao transporte aéreo.

Na economia, o objetivo é reduzir a carga fiscal das famílias, com a revisão dos escalões de IRS, que já estava inscrita no Orçamento do Estado para 2022. O PAN defende que também o IRC das empresas deve baixar para 17 por cento até 2026

Quanto ao salário mínimo, a proposta do partido é que suba para os 905 euros, até ao final da legislatura.

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