Demissão no SEF. Ana Catarina Mendes quer explicações de Cabrita, mas defende continuidade no Governo

A líder parlamentar do PS, em declarações no Fórum TSF, entende que o ministro da Administração Interna tem condições para continuar no cargo.

A líder parlamentar do PS, Ana Catarina Mendes, considera que foi tardia a demissão da diretora nacional do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF). Cristina Gatões apresentou a demissão esta quarta-feira, nove meses depois do homicídio de um cidadão ucraniano no Centro de Instalação Temporária do Aeroporto de Lisboa.

No Fórum TSF, questionada por Manuel Acácio sobre as condições de Eduardo Cabrita para se manter como ministro da Administração Interna, a líder parlamentar do PS foi perentória: "tem condições para continuar."

Ana Catarina Mendes pediu celeridade na marcação da audição a Eduardo Cabrita, no Parlamento, assegurando que pode acrescentar informações que ainda não são conhecidas.

"O que é estranho no dia de hoje é que a audição tenha sido pedida com caráter de urgência e votada na semana passada, e ainda não tenha havido um contacto da comissão com o ministério", lamenta.

Já no programa Circulatura do Quadrado, da TSF e da TVI, a deputada defendeu que Eduardo Cabrita deve esclarecer os contornos da demissão. Ana Catarina Mendes fala num caso grave e sublinha a falta de comunicação entre o SEF e a tutela.

"A demissão da diretora do SEF peca por tardia. Espero pelas explicações que têm a dar sobre isto, porque na entrevista da diretora, nas entrelinhas, dá para entender que houve pouco cuidado na gestão do caso e a comunicação também não foi passada", refere.

Ana Catarina Mendes diz ainda que "todos devem ponderar o que querem fazer daqui para a frente".

A deputada socialista nota que o SEF tem de defender os direitos humanos. "Se há inspetores que abusam da força policial e da sua posição têm de ser punidos."

Pacheco Pereira defende demissão de Eduardo Cabrita

Também na Circulatura do Quadrado, José Pacheco Pereira defendeu a demissão de Eduardo Cabrita e frisou, ao longo de nove meses, a tentativa de minimizar a situação.

"É um caso grave, e há responsabilidade da hierarquia. Houve sempre a tentativa de minimizar o incidente, quer da parte da diretora do SEF, como do ministro", assume.

Pacheco Pereira afirma ainda que "a tentativa de minimizar faz com que o ministro numa mais se vá sentir à vontade nesta matéria ou noutras de natureza semelhante. Acho que o ministro se devia demitir ou ser demitido."

O cidadão ucraniano foi, alegadamente, espancado por três inspetores do SEF.

O Ministério da Administração Interna, contactado pela TSF, afirma que Eduardo Cabrita não tem nada a acrescentar. O gabinete do ministro lembra que o governante foi o primeiro a falar no caso, em abril.

"A defesa intransigente dos Direitos Humanos é a razão de ser do Ministério da Administração Interna em todas as suas dimensões: na atuação das Forças e Serviços de Segurança, no respeito pelos direitos fundamentais em Estado de Emergência, no acolhimento de refugiados e migrantes ou na proteção de vítimas de violência doméstica", lê-se em comunicado do ministério.

A nota conclui com o comprometimento de Eduardo Cabrita "no apuramento de toda a verdade e das consequentes responsabilidades criminais e disciplinares" relativas ao caso.

Entretanto, a audição a Eduardo Cabrita foi marcada para a próxima terça-feira.

Notícia atualizada às 11h09

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG

Patrocinado

Apoio de