Touradas são "erro histórico". "Tortura animal" não pode ser exibida como uma bandeira cultural

No Fórum TSF, a líder do Partido Pessoas-Animais-Natureza defendeu que a tauromaquia é "um erro histórico que tem tardado a ser corrigido" e elencou outros exemplos de exploração animal. Inês Sousa Real contrapõe que há muitas outras formas de divertimento e de viver a cultura portuguesa.

Inês Sousa Real, questionada esta manhã no Fórum TSF, admitiu que "faz confusão" confundir racismo com o combate às touradas, já que o racismo e o ódio matam. "Temos muitas vidas humanas que se têm perdido às mãos do ódio."

"Confundir racismo e avanço civilizacional" ou falar de touradas com o "argumento de que é cultura" é garantir o "direito a torturar um animal", sustenta a deputada, que rejeita "tentar elevar isso a diversão e espetáculo". Argumentando que "a cultura não é imutável" e que a tauromaquia, a atividade em si, "não está consagrada na Constituição", Inês Sousa Real lembra que a tourada não está reconhecida como património imaterial cultural. E ainda que estivesse, frisa, "temos o dever e a sensibilidade de respeitar o direito animal".

Sublinhando que se trata de "um erro histórico que tem tardado a ser corrigido" e que as touradas continuam a receber isenções na ordem, por exemplo, dos 16 milhões de euros anuais, para o caso do Campo Pequeno, Inês Sousa Real lamenta que se limite a cultura a algo estanque.

Com "tantas formas de divertimento" disponíveis, o intuito humano deve ser "evoluir" para "outras formas de fruição cultural".

"Durante esta pandemia, tivemos a verdadeira cultura, a música e as artes, que têm sido dizimadas", lamenta a líder do PAN. "Não podemos exibir como uma bandeira cultural a tortura animal."

Ainda assim, Inês Sousa Real não defende a eliminação e o abandono dos que se dedicam à atividade à sua sorte: estas pessoas devem ter apoios para a reconversão da atividade, em planos alinhados com o IEFP, refere. No entanto, esta prática "obsoleta não pode ter lugar nos nossos tempos".

Relativamente aos jardins zoológicos, Zoomarine ou Badoka Park, também há críticas a fazer: "Propomos a reconversão desses espaços. Em vez de esses animais serem comercializados, que se promova os zoos digitais." A deputada dá o exemplo da iniciativa do Zoo 21 que reproduz a imagem das espécies, que devem estar em liberdade e no seu habitat natural.

A líder do PAN também menciona que tem recebido várias denúncias, porque "há mais de um ano temos golfinhos confinados num tanque mais pequeno [do Zoo de Lisboa], o que viola as normas europeias".

LEIA AQUI TUDO SOBRE AS LEGISLATIVAS DE 2022

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