Um bonsai para Marcelo: Costa quer "cooperação estratégia" para reforma da floresta

O primeiro-ministro entregou ao Presidente o "exemplo de uma quercus nacional já centenária". Uma oferta simbólica a quem Costa vê como "o garante da continuidade" da reforma da floresta depois de 2023.

A surpresa que António Costa ofereceu ao Presidente, em transição do primeiro para o segundo mandato, tem o significado simbólico de uma "cooperação estratégica" defendida pelos dois órgãos de soberania.

"É o exemplo daquilo que temos de ter: uma floresta que dure para além das nossas próprias existências, quer ao nível das funções políticas que exercemos, quer da nossa própria vida. Não me querendo tornar um pessimista, mas receio que sim", disse o primeiro-ministro, pelo meio de um sorriso.

Hoje, o pretexto para a sintonia entre Presidência e Governo foi a reforma da floresta com o primeiro-ministro a sinalizar que, mesmo depois de acabar esta legislatura, em 2023, o Presidente será "o garante da continuidade" desse processo reformista.

"Tenho a certeza que o senhor Presidente da República, no novo mandato que inicia na próxima terça-feira, é o garante de, para além desta legislatura, assegurar a continuidade da aposta estratégica do país", disse Costa.

Marcelo que agarrou com as duas mãos o vaso com o carvalho, em forma de bonsai, tinha dito minutos antes que tem de haver "uma solidariedade estratégica" em matéria de prevenção dos fogos florestais, que envolva todos "independentemente das posições que tenham no Governo ou na oposição, que envolve todos os portugueses, independentemente do lugar onde vivam, no país metropolitano, no país urbano ou no país rural, por todo o país".

"Em matéria - que era o grande tema deste Conselho - da estratégia no domínio não só dos fogos florestais, mas ordenamento do território, do ordenamento florestal, é fundamental para o país que haja uma solidariedade estratégica", vincou o Presidente da República.

Nas breves declarações, sem perguntas dos jornalistas, António Costa lembrou que o tema da floresta "marcou profundamente, até por razões trágicas, o primeiro mandato do Presidente da República."

Marcelo avisou que "não há nada como prevenir para não ter de remediar" lembrando que "o flagelo dos incêndios florestais periodicamente fustigou milhares de portugueses", numa referência especial à"tragédia de 2017", quando mais de cem pessoas morreram em consequência dos incêndios, em Portugal.

A reunião do conselho de ministros foi esta quinta-feira presidida por Marcelo Rebelo de Sousa a convite de António Costa que sublinhou não ter sido "mera cortesia", mas visando assinalar o final do primeiro mandato do Presidente da República, "e realçar as boas relações entre os dois órgãos de soberania e o espírito de cooperação institucional" existente em Portugal.

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