"Um país dependente em relação ao estrangeiro." PCP vê estado da nação com "grandes problemas"

João Oliveira aponta a falta de investimento na produção nacional, em particular, na saúde, na educação e nos serviços públicos, a redução de salários e de postos de trabalho, a perda de direitos dos trabalhadores, decorrente de abusos laborais justificados com a pandemia, como os maiores problemas do país.

O PCP fez esta segunda-feira uma retrospetiva de um estado da nação com "grandes problemas" económico-sociais, decorrentes da pandemia e adensados pela dependência externa de Portugal, mostrando a necessidade de alterar a trajetória política.

"O estado da nação é, naturalmente, um estado de grandes problemas económicos e sociais, que decorrem da epidemia e das medidas restritivas tomadas em resposta à epidemia, e que vieram trazer ao de cima muitas das principais vulnerabilidades do nosso país. Um país dependente em relação ao estrangeiro. Quando precisávamos de ventiladores não tínhamos como os produzir", disse à agência Lusa o líder parlamentar comunista, João Oliveira, antes do debate sobre o Estado da Nação, na quarta-feira.

Para o parlamentar, o estado da nação é também assinalado pelas "dificuldades que atingem milhares de trabalhadores que, neste momento, estão a ser vítimas de despedimentos coletivos" e de outros "problemas muito acentuados" que afetam a vida dos portugueses.

Na retrospetiva da última sessão legislativa, o deputado identificou os principais flagelos de Portugal: a falta de investimento na produção nacional, em particular, na saúde, na educação e nos serviços públicos, redução de salários e de postos de trabalho, perda de direitos dos trabalhadores, decorrente de abusos laborais justificados com a pandemia.

Na ótica de João Oliveira, há "áreas que são absolutamente chave para a vida nacional", como, por exemplo, as telecomunicações e os combustíveis, mas estão "na mão de meia dúzia de grupos económicos que, dominando esses setores estratégicos, acabam por dominar importantíssimas áreas" do país.

Por isso, é preciso encontrar uma "política verdadeiramente alternativa", acrescentou, através da recuperação do "controlo público desses setores estratégicos" para estar "na mão de quem tem decidido politicamente o destino do país a capacidade de utilizar todas essas empresas e setores estratégicos como alavanca para o desenvolvimento nacional".

De fora não podem ficar reivindicações prementes, como, por exemplo, "o aumento geral dos salários, incluindo do salário mínimo nacional".

O debate sobre o Estado da Nação está agendado para quarta-feira, na Assembleia da República, e tem duração prevista de quase quatro horas. O Governo e os partidos com representação parlamentar vão analisar em retrospetiva a última sessão legislativa.

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