Uma história das eleições com cada vez menos participantes

A Pordata, da Fundação Francisco Manuel dos Santos, criou pequenos vídeos que destacam os nomes dos primeiros-ministros que resultaram das eleições, o número de partidos que concorreram a eleições e os que conseguiram eleger deputados.

O sistema eleitoral português não é amigo das maiorias absolutas e os eleitores mudam de voto menos do que se pensa.

São duas ideias que podem sair das consultas mais simples dos resultados eleitorais nas legislativas desde 1975. Os dados estão organizados na Pordata, tanto em termos nacionais e de círculos eleitorais como no detalhe dos municípios.

Mas a base de dados organizada pela Fundação Francisco Manuel Santos simplificou ainda mais alguma da história das eleições legislativas em democracia.

Criou diversos vídeos que destacam os nomes dos primeiros-ministros que resultaram das eleições, o número de partidos que concorreram a eleições e os que conseguiram eleger deputados.

A diretora da Pordata, Luísa Loura, diz que são vídeos que sublinham a memória da história eleitoral. Outro dos temas é a participação dos eleitores.

"São, principalmente, para ficar como memória histórica. As pessoas têm algumas ideias e achámos que esta era uma forma simples e apelativa para recordar a história das eleições", explicou à TSF Luísa Loura.

Se a consulta dos resultados ou a observação dos vídeos permite perceber uma decrescente participação de eleitores ou um constante aumento da abstenção, Luísa Loura, também especialista em estatística, diz que são necessárias outras leituras.

"Faria uma leitura destes números com muito cuidado da participação, principalmente porque a divergência entre os números de eleitores registados nos cadernos eleitorais e a população residente com 18 ou mais anos tem vindo a aumentar. Em 2005, a divergência era de cerca de 500 mil", avisa a diretora da Pordata.

Os cadernos eleitorais que vão servir para registar os votos nas eleições no próximo domingo têm mais cidadãos com capacidade de votar do que indicam os dados mais recentes do recenseamento da população sobre maiores de 18 anos.

A diferença pode ser superior a um milhão e trezentas mil pessoas. Se se confirmar, isto significa que no próximo domingo, haverá uma abstenção de 12% antes mesmo do início dos votos.

Historicamente, até se pode dar como certo mais desinteresse dos eleitores, mas essa não será a única explicação para a abstenção.

"Há alguma redução e desde o início da democracia há uma redução enorme. Que está a reduzir está, não está é a reduzir tanto quanto os números calculados do rácio entre os votantes e os eleitores parecem transmitir", esclarece.

São falhas que a Comissão Nacional de Eleições já reconheceu e que podem levar a um outro problema. Como os eleitores figuram nos cadernos eleitorais mas não existem, pode estar adulterado o mapa de distribuição dos deputados por círculo eleitoral.

LEIA AQUI TUDO SOBRE AS LEGISLATIVAS 2022

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG

Patrocinado

Apoio de