Vacina obrigatória? "Não se deve quebrar uma regra que tem funcionado bem ao longo de décadas"

Os números de recusa da vacina para combater a Covid-19 são mínimos, perto dos 2%. Costa entende que até esses já se terão arrependido.

António Costa defende que a vacinação em Portugal não deve ser obrigatória, numa altura em que países europeus, como França, avançam com a exigência da vacina para profissionais de saúde e de lares de idosos. Em declarações ao Expresso, o primeiro-ministro voltou a defender a Direção-Geral da Saúde (DGS) e pediu tempo para que as autoridades possam tomar decisões com base científica quanto à terceira dose da vacina.

Em entrevista ao semanário, o chefe de Governo lembra que nenhuma vacina é obrigatória em Portugal, e que "não se deve quebrar uma regra que tem funcionado bem ao longo de décadas". Os números de recusa da vacina para combater a Covid-19 são mínimos, perto dos 2%.

O primeiro-ministro entende que até esses já se terão arrependido, principalmente os que acabaram infetados, como André Ventura, que o primeiro-ministro admite que hoje "talvez pensasse duas vezes".

Questionado sobre se a vacina da Covid vai fazer parte do Plano Nacional de Vacinação, Costa lembra que não é uma decisão política, mas, sim, técnica, e aproveita para voltar a defender a DGS. O primeiro-ministro entende que a decisão de vacinar os jovens dos 12 aos 15 anos "não foi um ziguezague", mas, sim, uma evolução na decisão, e admite que prefere "uma conclusão tardia, a uma que traga incerteza".

"A DGS tomou a decisão quando entendeu que devia. Isso é fundamental para a confiança na vacinação", acrescenta.

António Costa pede tempo para que as autoridades de saúde possam decidir com base em conhecimentos científicos, e rejeita pressões políticas. O primeiro-ministro garante mesmo que existe "uma coordenação muito ativa" e que tem reuniões todas as segundas-feiras com Graça Freitas, Marta Temido, Gouveia e Melo, e com o presidente do Infarmed, Rui Santos Ivo.

Quanto à terceira dose da vacina, Costa volta a passar a responsabilidade à DGS, e admite que o Governo já fez o que podia: comprar o maior número de vacinas, para que existam doses suficientes caso a decisão seja avançar com uma nova toma.

"É uma decisão técnica que a DGS tem de tomar. O que compete ao Governo fazer já fez: adquirir o número de doses suficientes para que, se essa decisão vier a ser tomada, existam doses disponíveis", explica.

Na perspetiva do Governo, vacinação rima com certificado digital, que veio para ficar mesmo depois da imunidade de grupo. A maior parte das críticas dos portugueses estava relacionada com as desigualdades entre vacinados e não vacinados, e, por isso, o primeiro-ministro pergunta "qual a necessidade de acabar com o certificado" que será quase universal para os portugueses e não sinónimo de uma barreira.

"Quanto tivermos os 85% de vacinados, praticamente todas as pessoas que precisam de certificado, têm o certificado. O certificado é decrescentemente uma barreira", sustenta.

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