"Valeram a pena." Marcelo anuncia fim das sessões no Infarmed

Marcelo Rebelo de Sousa enalteceu "a transparência total" das reuniões.

O Presidente da República anunciou esta quarta-feira que as sessões com especialistas e políticos no Infarmed terminaram, pelo menos para já, e defendeu que este foi um exercício de transparência sem paralelo que valeu a pena.

"Terminamos hoje uma experiência de vários meses, iniciada no final de março em pleno estado de emergência", declarou Marcelo Rebelo de Sousa aos jornalistas, no final da décima reunião sobre a evolução da Covid-19 em Portugal, no Infarmed.

Sem querer "fazer profecias sobre o que será necessário em termos de futuros encontros como este", o chefe de Estado fez um balanço destas dez sessões, que se realizaram por iniciativa do primeiro-ministro, António Costa, afirmando que a sua realização periódica foi "muito importante".

"Permitiu um contacto aberto entre especialistas e decisores políticos, foi uma experiência única não verificada em nenhum outro país europeu e, que saiba, em nenhum outro país no mundo. Facilitou a convergência e a unidade de análise, de troca de pontos de vista e até a convergência na decisão, fundamental durante o estado de emergência e na transição para o estado de calamidade", considerou.

Marcelo Rebelo de Sousa acrescentou que esta iniciativa "mostrou uma transparência total, ao ponto de o Presidente da República, o presidente da Assembleia da República e o primeiro-ministro saberem à entrada das sessões exatamente o mesmo que sabiam os outros participantes, nomeadamente os conselheiros de Estado e os representantes dos vários partidos políticos com assento parlamentar".

"É o máximo da transparência que se pode imaginar num exercício destes. Portanto, valeu a pena fazer esse exercício", defendeu.

Segundo o Presidente da República, "o exercício conhece agora o fim de uma fase" porque "há estudos fundamentais que estão a ser feitos e que irão ser concluídos nas próximas semanas ou nos próximos meses, epidemiológicos e serológicos", porque "há convicção da estabilidade da situação da sua durabilidade" em Portugal e porque a resposta à Covid-19 está a passar "do plano macro para o plano micro".

"Por todos estes motivos, parece sensato encerrar esta fase, que corresponde a um modelo que cumpriu a sua missão, mas que o tempo mostrou que é um modelo que tem de ser reajustado para novas circunstâncias", sustentou.

"O país ganhou" com as reuniões no Infarmed

Marcelo Rebelo de Sousa agradeceu "a quem teve a ideia" de realizar estas reuniões, "o primeiro-ministro e o Governo", e também a todos os que as apoiaram e contribuíram para que fossem um "momento de esclarecimento e de debate aberto como não ocorreu a nenhuma outra democracia".

"Eu penso que valeu a pena este exercício, que o país ganhou com ele", reiterou.

Confrontado com a opinião manifestada pelo presidente do PSD, Rui Rio, de que estas sessões no Infarmed começavam "a ter pouca utilidade", o chefe de Estado respondeu que "várias pessoas, nomeadamente participantes, chegaram à mesma conclusão" de que se estava num momento de transição "e que, portanto, o modelo pensado para há quatro meses", quando Portugal adotou as primeiras medidas de combate à Covid-19, "precisava de ser descontinuado, fechando um ciclo e naturalmente ponderando em tempo oportuno a abertura de outro ciclo".

Marcelo Rebelo de Sousa realçou que no final destas reuniões "todos os que queriam falavam" à comunicação social e que o seu conteúdo era objeto "da revisitação, da releitura daquilo que tinha ocorrido, pelos participantes e por aqueles que não tinham participado".

"De alguma maneira, isso transformou vários setores da sociedade portuguesa em participantes nesta reunião", observou.

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