Vão ser raros os eleitores em confinamento ou em lares de idosos que vão votar

Com 300 mil pessoas em confinamento e 80 mil a viverem em lares, apenas 13 mil se inscreveram para votar antecipadamente.

Começa esta terça-feira e prolonga-se até quarta-feira uma operação inédita de recolha de votos para quem está em confinamento ou quem vive em lares.

A solução, encontrada para estas eleições presidenciais em tempo de pandemia, levou 12.906 eleitores a inscreverem-se de um total de cerca de 300 mil que estão em isolamento por causa da Covid-19 (infectados ou por contactos de risco) e dos perto de 80 mil que vivem em lares para idosos.

Rui Moreira vai recolher votos

No Porto, por exemplo, o terceiro concelho do país com mais inscritos para votar nestes dois dias (304), o presidente da Câmara Municipal, Rui Moreira, detalha à TSF que depois das dificuldades iniciais conseguiram reunir 15 equipas de voluntários (dirigentes e funcionários do município) que irão aos lares e às casas de quem está confinado.

Entre os voluntários que vão fazer esta tarefa no Porto está o próprio Rui Moreira que diz que tinha de dar o exemplo e integrar as equipas que devidamente equipadas e cumprindo as regras da Direção-Geral de Saúde (DGS) vão recolher os votos.

De cada vez que se for a um lar ou a uma casa será preciso trocar os equipamentos de proteção num sítio seguro, algo que no caso do Porto obriga os responsáveis da Câmara a irem ao quartel dos bombeiros ou a uma de duas tendas montadas pelos sapadores em zonas distantes da cidade para "facilitar o vai e vem".

Rui Moreira diz que ele próprio irá, "seguramente, a um lar e não sei se à casa de algumas pessoas, porque a lei diz que deve ser o presidente da Câmara ou quem o representa. Apesar de ser de um grupo de risco não devo pedir voluntários se eu próprio não me voluntariar para essa tarefa", refere o autarca

Dos 304 eleitores inscritos para este novo tipo de voto antecipado no Porto, 129 estão em casa confinados e 175 em 18 lares, algo que segundo Rui Moreira é pouco sabendo que existem cerca de 80 lares na cidade e 3.500 residentes em lares de idosos, mas que teve a vantagem de facilitar uma tarefa de recolha de votos que será demorada e complexa.

Lisboa garante segurança

Em Lisboa, o concelho do país com mais eleitores inscritos para votar antecipadamente em confinamento (989), a esmagadora maioria dos residentes em lares - cerca de 6 mil - também não irá votar nestas eleições presidenciais.

Carlos Manuel Castro, vereador com o pelouro da proteção civil, explica à TSF que terão 15 equipas, num total de 40 pessoas, a fazer o trabalho de recolha dos votos, sublinhando que a preparação foi bem feita, havendo todas as garantias de segurança.

"Tivemos duas componentes formativas. Por um lado a recolha dos votos salvaguardando a integridade do voto unipessoal e por outro a utilização de equipamentos de proteção individual para que não existam riscos de contágio", conclui o autarca de Lisboa.

Vários lares não conseguiram inscrever idosos

A Associação de Lares e Casas de Repouso de Idosos e a União das Misericórdias Portuguesas confirmam à TSF que tiveram vários lares com grandes dificuldades no processo de inscrição electrónica dos idosos interessados em votar e vários acabaram por não conseguir fazê-lo.

O vice-presidente da União, Manuel Caldas de Almeida, refere que os responsáveis do lares "andaram em círculos" para fazer as inscrições, algo que, no fim, se conseguiu em alguns sítios mas não noutros.

Depois de "muito trabalho", houve "umas misericórdias que fizeram a inscrição e outras que não o conseguiram mesmo", afirma o representante das misericórdias que apesar dos vários problemas admite que nunca seriam muitos os idosos a inscreverem-se para votar pois grande parte dos que vivem em lares têm problemas de demência.

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