Ventura, que não vê em Meloni admiração pelo fascismo, pede mudanças ao PSD após "conluio" no aeroporto

Ventura acusa Luís Montenegro de "conluio" com António Costa, sobre o novo aeroporto, e pede para ser ouvido.

André Ventura já deu os parabéns, por telefone, a Giorgia Meloni, futura primeira-ministra de Itália, e pede que as eleições italianas sejam um exemplo para a direita portuguesa. O líder do Chega chama "ventos de mudança" aos resultados italianos e "espera que cheguem a Portugal".

Meloni é uma admiradora confessa do italiano Benito Mussolini e o partido Irmãos de Itália, que lidera, tem raízes no Movimento Social Italiano, fundado pelos seguidores do ditador fascista, mas apesar de admitir que lê notícias, o líder do Chega diz que nada sabe sobre a admiração de Meloni ao ditador.

"Não conheço declarações de Giorgia Meloni no sentido de assumir, defensivamente e integralmente, as posições de Benito Mussolini. Certamente que, o que está em causa, é o recuperar de um certo orgulho italiano", diz, sublinhando que "se houver outras declarações" mudará a sua opinião.

André Ventura admite, por outro lado, que "o aspeto de orgulho nacional" não lhe causa desconforto, mas o mesmo não se pode dizer se Meloni se identificar "com os crimes que foram cometidos". "Isso, sim, já me causaria desconforto", acrescenta.

E, sem desconfortos, André Ventura sugere aos partidos à direita, a começar pelo PSD, "mas também a Iniciativa Liberal", que olhem para a coligação de direita em Itália como um exemplo para futuras eleições em Portugal.

"O PSD tem de dar sinais nesse sentido, se quer arranjar um caminho de alternativa. Se não quer, arriscamo-nos a que isto vá continuando, que o PS consiga congregar a esquerda e que à direita isso não seja possível", nota.

Ventura acrescenta, dando o exemplo de Itália "e das futuras eleições em Espanha", que "a direita vence quando quebra barreiras", mesmo que existam divergências entre os vários partidos.

"O que aconteceu ali é um conluio"

Questionado sobre as relações com o PSD, depois do líder parlamentar social-democrata ter apelado ao voto no candidato do Chega a vice-presidente da Assembleia da República, André Ventura admite que "numa escala de temperatura, estão mornas", até pelas divergências sobre o futuro aeroporto em Lisboa.

"Num momento de contração do ciclo económico, esta decisão é ainda mais impactante e mais grave, porque vai ter um impacto real nas contas portuguesas. O que aconteceu ali é um conluio que só fica mal a Luís Montenegro", acusa.

O líder do Chega diz que o presidente do PSD "verga-se perante os interesses do PS", ao aceitar discutir a dois o novo aeroporto de Lisboa, e pede para que todos os partidos com assento parlamentar sejam ouvidos sobre a futura infraestrutura.

O Chega já pediu um debate de urgência para discutir o novo aeroporto, que deve acontecer já na próxima quarta-feira. André Ventura exige ao Governo que se faça representar pelo ministro das Infraestruturas, Pedro Nuno Santos.

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG

Patrocinado

Apoio de