O presidente do CDS-PP, Francisco Rodrigues dos Santos, bebe um sumo de laranja durante a visita a uma
CDS

"Vitamina CDS" para a retoma sem pensar nas presidenciais

CDS considera que discussão das presidenciais nesta altura "é extemporânea e até insultuosa". Francisco Rodrigues dos Santos prefere que partido se foque na retoma da economia e faz questão de andar na rua para ouvir os problemas das pessoas e combater "a propaganda" do governo.

"Ninguém me veio perguntar se tenho condições para abrir, se tenho dinheiro para recomeçar, ninguém me perguntou nada". Da boca de José António saem as queixas acumuladas depois de dois meses de porta fechada no centro histórico de Odivelas. Dono de uma pastelaria bem conhecida no concelho, ao lado do mosteiro D. Dinis, José António recebeu o presidente do CDS que lá foi "para saber como é que tem conseguido reinventar-se".

Bastou o mote de Francisco Rodrigues dos Santos para que este homem que todos os dias sai da cama às 4 da manhã começasse a fazer uma análise à atual situação, passando pelo uso da máscara até aos 850 milhões de euros transferidos para o Fundo de Resolução do Novo Banco. Mas ele até nem tem assim tantas queixas, diz ao líder centrista, mas, já que tem oportunidade, tenta dar voz a todo um setor.

"Eu sou sincero, não tenho razão de queixa da abertura, mas dá-me muita pena os meus colegas dos restaurantes. A minha casa é antiga, tem nome, eu vendo. Tenho pena deles", realçando que não ficou de mãos a abanar porque ao longo dos últimos 50 anos tem vindo a fazer um pé-de-meia.

Com espaço para críticas ao Governo criado pelo dono da pastelaria, Francisco Rodrigues dos Santos engrenou no debitar das propostas centristas como, por exemplo, a extensão do lay-off simplificado até setembro, um mecanismo de acerto de contas entre Estado e contribuintes ou a eliminação dos pagamentos por conta. Mas José António também não se ficou e aproveitou para "dizer o que pensa": os senhorios, como ele próprio, "devem estar sem receber rendas dois meses para ajudar as pessoas" e que o Estado devia pensar nisso, "doa a quem doer". Mais: "O Estado ajuda as televisões, o Estado ajuda os bancos e as pessoas que precisam não têm, 850 milhões de euros dava para alimentar muita gente porque a fome mata mais do que a pandemia", nota.

O centrista ganha novo fôlego e segue adiante nas críticas. "Já deve ter recebido a carta para pagar o IMI e ainda não recebeu o reembolso do IRS", atira Francisco Rodrigues dos Santos que lembra repetidas vezes a importância de "o Estado pagar o que deve a fornecedores e contribuintes" e que "há uma grande divergência entre o país real e a propaganda do governo". Mas no menu deste aperitivo para o almoço, estava muito mais do que as propostas centristas.

Centeno em lay-off no Banco de Portugal?

Depois de se ter servido de um sumo de laranja recheado de "vitamina C... DS, para combater a Covid e ajudar as empresas", Francisco Rodrigues dos Santos tenta utilizar toda e qualquer pergunta para colocar em cima da mesa as medidas propostas pelo CDS, mas há outros temas dos quais não escapa e até aproveita a oportunidade para criticar o executivo.

Desde logo com a medida antecipada pela TSF de os centristas quererem tentar colocar um travão a uma eventual ida de Mário Centeno para o supervisor da banca. Diz Francisco Rodrigues dos Santos que "se o governo quer colocar o ministro das finanças em lay-off como governador do Banco de Portugal, (...) não vai poder fazê-lo".

Lembra ainda o líder centrista que gostava que "o governo fosse tão rápido a pagar o que deve como foi a transferir para o Novo Banco", pedindo para que avancem com maior celeridade os reembolsos de IRS.

Presidenciais: uma discussão "extemporânea e até insultuosa"

Numa semana em que o antigo presidente do CDS Manuel Monteiro voltou às fileiras centristas, Rodrigues dos Santos nota que "quem quer conquistar o futuro tem de saber somar o passado e não excluir ninguém". "Procurarei que o CDS tenha respeito integral pela sua história e que ninguém se sinta a mais", nota o líder do partido considerando ainda esperar que qualquer militante que se junte, "que venha por bem", e está convencido que assim é no caso de Manuel Monteiro.

Questionado se ele seria um bom candidato presidencial, Francisco Rodrigues dos Santos volta a esquivar-se ao tema. "O CDS não é um partido alheado da realidade, mas confesso que consideramos esta discussão absolutamente extemporânea e até insultuosa", aponta.

Considerando que o tema foi "um escape que o primeiro-ministro encontrou para desviar as atenções de uma cisão que criou no seu próprio Governo", o líder do CDS nota que "nessas manobras dilatórias" o partido não cai e que a prioridade é o plano de emergência social e de relançamento da economia.

Política é "um episódio na vida" de Francisco Rodrigues dos Santos

Posições políticas tomadas, o líder do partido aproveitou o momento para conviver com a população local que aproveitava a pequena esplanada neste dia soalheiro. Num registo de proximidade e sem negar conversa a ninguém, Francisco Rodrigues dos Santos sentou-se no centro, de sumo de laranja na mão, a desfiar conversa com todos.

Desde o incómodo que é usar máscara até à sua carreira profissional, parecia Francisco Rodrigues dos Santos estar no ambiente em que, de facto, se sentia confortável.

De riso fácil, Rodrigues dos Santos começou por ser questionado por uma senhora se "ali tinha ido para ir ver as meninas", numa referência ao Instituto de Odivelas. "Ainda hoje sou apreciador de meninas, mas nunca tive uma namorada do Instituto de Odivelas", começa por realçar, entre gargalhadas, antes de revisitar o passado, o facto de o pai ser Oficial do Exército e ele próprio ter feito a sua formação no Colégio Militar.

"Estudei no Colégio, depois fui para a faculdade, sou advogado e exerci até janeiro, agora fui eleito presidente do CDS e dedico-me mais à política, mas será sempre um episódio da minha vida, nunca será uma profissão. Aprendi isto no Colégio, temos de nos dedicar a um bem maior", diz realçando "não estar arrependido".

Entre queixas de outros consumidores da pastelaria sobre assuntos do concelho, teve ainda tempo para falar das raízes na região centro e de como, "durante muitos anos", escreveu para o jornal "Comarca de Arganil". Agora sem escrever, certo é que Francisco Rodrigues dos Santos está a tentar fazer jus à promessa de "fazer das ruas o seu escritório". E, a julgar por este exemplo em Odivelas, até com algum sucesso.

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