Porto vai ter sala de chuto já em 2019

Até ao final do ano, o Porto espera ter uma sala de chuto. Numa altura em que se assinalam os 20 anos do início do debate das políticas de combate às drogas, a legalização da canábis e o consumo de álcool ainda são motivos de preocupação.

Depois de Lisboa, as salas de chuto vão chegar ao Porto, onde, até ao final do ano, se vai inaugurar uma nova fase do combate às drogas. Foi há 20 anos que tudo começou, com um pontapé inicial de debates sobre o poder da informação e da inclusão, em detrimento da criminalização. Agora, Rui Moreira, presidente da Câmara Municipal do Porto, mostra-se disponível para que a cidade resolva aquela que ainda era uma pedra no sapato: as salas de chuto.

O diretor do Serviço de Intervenção nos Comportamentos Aditivos e nas Dependências (SICAD), João Goulão, deu também essa garantia, em entrevista à TSF. "Eu penso que, nos próximos meses, até ao fim do ano, estarão criadas as condições para surgir um espaço de consumo vigiado também no Porto", asseverou o dirigente, para quem este é apenas o primeiro passo. "Temos de começar por uma, e depois verificar se há mais conversas dos intervenientes que operam no Grande Porto", esclareceu ainda.

Mas há outras lutas que se impõem, num momento em que o combate às drogas é uma realidade cada vez mais apoiada nos cuidados contínuos junto das comunidades mais afetadas pelo consumo e pelo tráfico. Depois da legalização da canábis medicinal, há três meses , João Goulão garante que não tem uma posição fundamentalista, mas diz manter reservas sobre a legalização da canábis para fins recreativos.

"As discussões recentes em torno da canábis terapêutica, as propostas no sentido da sua regulação são entendidas, em boa medida, como uma desvalorização dos riscos envolvidos, e isso torna difícil a passagem de mensagens no âmbito preventivo", revelou o diretor do SICAD.

Há uma "desvalorização dos riscos" que Goulão censura: " [Se falarmos de] pedidos de ajuda, em 2011, 26% eram relacionados com canábis. Em 2017, foram 53%". E a razão é clara, para o representante do serviço de intervenção. "A canábis sempre foi a droga mais utilizada no nosso meio. À medida que se vão desvanecendo problemas com outras substâncias, nomeadamente a heroína e a própria cocaína, vamos assistindo a uma maior predominância destes pedidos relacionados com a canábis", clarificou.

"Era importante que isto se resolvesse. Na sequência da aprovação do uso terapêutico e da criação desses mecanismos, era verdadeiramente importante implementar no terreno a possibilidade de os médicos prescreverem com segurança esses fármacos", apelou João Goulão.

No momento em que se assinalam 20 anos do início das reformas na estratégia nacional de combate às drogas, há um alvo que não tem estado no centro das políticas, segundo Goulão, e que continua a ser o maior desafio da sociedade portuguesa: o consumo de álcool.

"A acessibilidade é enorme. A facilidade com que se adquire álcool é muito grande, e os preços são muito baixos". Por este motivo, "a identificação das situações de risco no consumo é fundamental. Por outro lado, uma política efetiva de preços para bebidas que contêm álcool é importante", refletiu. E deixou também o lamento: "Menores de idade conseguem, com relativa facilidade, contornar isso [proibição devido à idade], muitas vezes contando com o aval dos adultos, dos pais", pelo que o combate ao álcool deve ser mais acérrimo, em lugar da banalização.

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