crianças

Autoridades criam manual para crianças trocarem sumos por água

Mais de metade das crianças portuguesas com 4 anos bebe refrigerantes e néctares todos os dias. A Direção-Geral de Saúde está preocupada com a falta de consumo de água entre os mais novos.

A Direção-Geral de Saúde e a Direção-Geral de Educação estão a enviar um manual com instruções para as escolas convencerem os alunos a beberem mais água. Vários estudos mostram que as crianças e jovens portugueses bebem demasiados refrigerantes e néctares, esquecendo ou preferindo ignorar a água.

O coordenador da Plataforma Nacional contra a Obesidade da Direcção-Geral de Saúde apresenta vários estudos e três foram concluídos este ano. Uma investigação do Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto revelou, por exemplo, que 52% das crianças portuguesas com 4 anos bebe refrigerantes e néctares diariamente (colas, refrigerantes gaseificados, refrigerantes sem gás, "ice teas" e néctares). Pedro Graça sublinha que muitas crianças não têm o hábito de beber água e considera estes números preocupantes.

Outro trabalho, da investigadora Patrícia Padrão da Faculdade de Ciências da Nutrição e Alimentação, revelou que 13 em 30 crianças com 9-10 anos, a quem foram feitas análises à urina, estavam mal hidratadas. Finalmente, um trabalho da DGS revela que apenas 44% das mais de 1.100 escolas que responderam a um inquérito têm um ou mais bebedouros à disposição dos alunos. Uma falha que é mais comum nos jardins de infância e nas escolas do 1º ciclo.

Perante a concorrência e a imagem apelativa dos refrigerantes e néctares, o coordenador da Plataforma Nacional contra a Obesidade diz que é fundamental promover o consumo de água nas escolas e foi isso que levou as autoridades a fazerem este manual de boas práticas com uma série de conselhos, cuja implementação deve ser avaliada depois de 3 em 3 meses.

O primeiro conselho é simples: «a água tem de estar disponível e à vista, pois há uma percentagem significativa de escolas que, aparentemente, das respostas que tivemos, não tem bebedouros funcionais ou pelo menos na quantidade que achavam suficiente».

Pedro Graça diz que está provado que os alimentos e líquidos que estão visíveis são mais consumidos. «A água é fundamental e o seu consumo nos jovens deve ser incentivado», pelo que não faz sentido obrigar «as crianças a irem à casa de banho meter a boca debaixo da torneira». O responsável da DGS diz que é preciso ter água 'à mão', facilmente disponível, até para sublinhar, às crianças e jovens, a importância que esta deve ter no seu dia-a-dia.

  COMENTÁRIOS