Saúde

Efeitos da crise cada vez mais visíveis na saúde dos portugueses

O alerta é do Observatório Português dos Sistemas de Saúde no relatório anual. A denúncia surge pelo segundo ano consecutivo, baseada no aumento da ansiedade e depressão dos portugueses.

O documento cita dados nacionais e regionais para concluir que que em paralelo com a crise assiste-se a «um aumento da depressão, da taxa de tentativa de suicídio e das mortes prematuras».

Os investigadores dizem que os efeitos da crise sentem-se, por exemplo, nas despesas: 20 por cento dos portugueses estão a gastar menos com a saúde, numa percentagem que duplica entre os desempregados.

O relatório sublinha que várias fontes apontam ainda para um aumento da ansiedade e da depressão no país.

O estudo citado de seguida foca-se na Unidade Local de Saúde do Alto Minho onde vivem 250 mil pessoas. Nessa região, o último ano teve um aumento de 76% nos casos de internamento compulsivo, o que pode dever-se ao agravamento das situações clínicas de doença mental ou à má adesão aos tratamentos.

Os casos de depressão cresceram 30% e as tentativas de suicidio aumentaram 47% entre as mulheres e 35% entre os homens.

Voltando aos dados nacionais, de todo o país, a compra de antidepressivos e estabilizadores de humor subiu, 7,6%. Está ainda a crescer a insatisfação dos doentes com as Unidades de Saúde Familiar e com o trabalho do ministério.

Os dados portugueses vão aliás de encontro aos estudos internacionais que falam numa clara ligação entre crise, desemprego e mais problemas de saúde mental.

Em resumo, o relatório diz que a evidência disponível torna claro que «a deterioração de vários indicadores macroeconómicos influencia negativamente muitos determinantes sociais com impacte direto» na saúde dos portugueses.

Ouvida pela TSF, Ana Escoval, coordenadora do Observatório, admite que o relatório foi elaborado com poucos dados e muitos resultam apenas de um estudo no Minho. No entanto, esta especialista está convencida de que há motivos para preocupação.