Saúde

Obstetras criticam publicidade de enfermeiros a favor de partos em casa

Os médicos obstetras consideram que fazer um parto em casa é uma prática arriscada. Os enfermeiros obstetras admitem que é preciso regulamentar a questão, mas lembram que têm formação na área.

Os obstetras criticam o facto de os enfermeiros estarem a fazer publicidade em relação aos partos em casa, uma prática que os médicos obstetras entendem ser arricada e um «regresso à Idade Média».

Reagindo a esta questão, o presidente do Colégio de Ginecologia e Obstetrícia disse, em declarações à TSF, que receia um aumento da taxa de mortalidade de mães e recém-nascidos.

«Portugal conseguiu uma baixíssima taxa de morbilidade e mortalidade maternas e neonatais, uma das melhores da Europa, senão a melhor, à custa de uma assistência hospitalar altamente qualificada», explicou João Silva Carvalho.

Este responsável lembrou ainda que os enfermeiros que estão a promover o parto no domicílio são «pessoas pouco qualificadas, sem qualificação nenhuma ou escassa para poder assistir ao parto de forma autónoma e muito menos para assistir ao recém-nascido».

Embora admita que é preciso regulamentar esta matéria, a presidente da Associação Portuguesa dos Enfermeiros Obstetras contesta as críticas feitas pela Ordem dos Médicos.

Ouvida pela TSF, Dolores Sardo lembrou que o «enfermeiro especialista nesta área tem seis anos de formação, dois deles a tempo inteiro na área da obstetrícia».

Para a presidente desta associação, esta área tem de ser partilhada entre enfremeiros e outros profissionais de saúde, porque os «enfermeiros estão devidamente formados e são copmpetentes na área do parto normal.

«Quando há probnlemas, tem de haver uma interligação de equipa para se poder suprir estes problemas», concluiu Dolores Sardo.

Por seu lado, Luísa Ferreira Vicente, da Direção-geral de Saúde, explicou que este organismo está atento à situação, mas não consegue determinar se há uma tendência clara para um aumento do número de partos realizados em casa.

«Existem vários movimentos da sociedade civil, que incluem enfermeiros especialistas da saúde materna e obstétrica, que fazem propaganda de partos em casa e há movimentos que se mantêm ativos», explicou.