A aldeia alentejana que deu a vitória a André Ventura

Benfiquismo, apoio às forças de segurança ou denúncia de quem vive "à conta do país" são alguns dos trunfos apontados pelos eleitores.

O distrito de Portalegre confirmou ser terreno fértil para André Ventura. O líder do Chega alcançou aqui o seu melhor resultado, havendo uma aldeia no concelho de Elvas onde garantiu mesmo a vitória mais expressiva.

Em São Vicente e Ventosa, os poucos habitantes que saem à rua em tempo de pandemia tentam encontrar a justificação para que André Ventura tenha obtido aqui o seu melhor resultado nas eleições presidenciais.

"Talvez pelo seu benfiquismo. O André Ventura é todo benfiquista. Suponho eu que seja isso", avança João à TSF, recordando como a maioria dos habitantes da aldeia é adepta do clube da Luz e "simpatiza com ele".

Mas a simpatia por André Ventura entre o eleitorado de São Vicente não é de agora. Já nas legislativas o Chega tinha aqui garantido um segundo lugar, à boleia de um movimento afeto ao partido de Ventura. Desta estrutura fazem parte alguns dos elementos que em 2016 organizaram um almoço que permitiu angariar 1700 euros destinados a ajudar o GNR Hugo Ernano nas despesas judiciais, após ter matado a tiro um rapaz durante um assalto. Recorde-se que, nas legislativas de 2019, Ernano foi o candidato do Chega pelo Porto.

Ainda assim, foi com surpresa que a população assistiu aos 113 votos obtidos por André Ventura, ficando Marcelo com cem. "Pensávamos que seria o Marcelo a ganhar aqui, mas depois o Ventura começou a dizer que era contra os ciganos que viviam à conta do país e, se calhar, foi por causa disso", admite Carlos Silva.

Mas será esta a razão para que, no total do concelho de Elvas, André Ventura tenha garantido o segundo lugar, chegando aos 28,8%? Rui Salabarda, dirigente da "Sílaba Dinâmica" - uma associação que representa a comunidade cigana em Elvas - admite a possibilidade, reclamando "políticas de inclusão" que ajudem a mudar este estado de coisas.

"É preciso emprego e criar uma verdadeira estratégia que permita a dispersão pela malha urbana da comunidade cigana", diz o dirigente. "Iriam poder beber outros modelos, permitindo às crianças crescerem em ambientes onde não vivam só ciganos", justifica.

Entre o eleitorado de André Ventura é que não há dúvidas. "O Chega procura uma verdadeira igualdade, em que as pessoas tenham os mesmos direitos e as mesmas obrigações. Isso não me parece que seja nem racismo nem xenofobia", alerta Miguel Fernandes, para quem a votação alcançada pelo partido traduz a "reconfiguração da direita no Alentejo", fazendo o Chega o seu próprio caminho.

Ou seja, explica, "o Chega nem está a roubar votos à direita, porque nunca os partidos de direita, todos juntos, tiveram tantos votos no Alentejo como o Chega. Não se pode roubar o que não existe", conclui.

No total do distrito de Portalegre - região que tem a maior em área geográfica e a mais despovoada do país - o Chega conquistou 20% dos votos, assegurando o segundo lugar, à semelhança do que conseguiu nos distritos alentejanos de Évora e Beja.

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