"A ansiedade cresceu muitíssimo." Do sofá para o ecrã, a pandemia mudou as consultas de psicologia

Só o tempo dirá o impacto que a pandemia teve nas consultas de psicologia e nos tratamentos. As doenças e problemas de foro mental agravaram-se, mas a Ordem dos Psicólogos acredita que a adaptação dos profissionais surtiu um efeito positivo.

Muito mudou para os psicólogos no último ano e meio. Algumas consultas passaram da cadeira ou do sofá para um ecrã. Outras, já presenciais, passaram a contar com o constrangimento de uma máscara a esconder expressões que procuram uma leitura, um entendimento. Os psicólogos que trabalham nas escolas viram os portões fechados e os alunos a terem pela frente novas e diferentes dificuldades. O bastonário da Ordem dos Psicólogos, Francisco Miranda Rodrigues, realça que ainda está por apurar o efeito das teleconsultas e do uso de máscara, mas os primeiros indicadores são positivos. Ao longo do último ano e meio, o padrão das patologias diversificou-se e há agora mais pessoas a recorrem às consultas.

Na véspera do Dia do Psicólogo, Francisco Miranda Rodrigues conta à TSF que falta desvelar os efeitos nas terapias aplicadas. "Apesar de tudo o que se tem verificado, julgo que vamos ter de esperar relativamente aos estudos que também estão a ser realizados por todo o mundo nessa matéria, relativamente à efetividade das intervenções e à maior dificuldade e complexidade do trabalho feito à distância ou com máscara."

Quando feitas à distância, as consultas não contam com a presença notória da máscara, mas, no regime presencial, o acessório que protege do contágio também não deixa aflorar algumas expressões reveladoras. "São limitações, mas ainda vamos ter de aguardar mais um tempo para verificar em que tipos de problemas e intervenções tem impacto", reconhece, com cautela, o bastonário, que acredita que primeiros indicadores são muito positivos, no que ao sucesso das intervenções diz respeito.

Francisco Miranda Rodrigues explica que, em pandemia, muitas doenças mentais se agravaram, e acabaram mesmo por emergir novas. "Houve um surgimento de reações adaptativas a esta situação, que deriva do maior medo e das incertezas associadas a tudo o que se tem passado", assinala.

"A ansiedade mais aguda cresceu muitíssimo", elenca, juntando a esse agravamento as reações depressivas e o agudizar da saúde mental, que ocorreu em muitas situações.

Também nas empresas e organizações, os psicólogos tiveram de se ambientar ao trabalho a partir de casa. Já muitos dos que trabalham na área social tiveram de continuar a sair à rua, para prestar apoio às pessoas em situação de sem-abrigo, a crianças em acolhimento ou trabalhar em lares, onde os surtos obrigaram muitos dos que lá vivem a lidar com a perda. Outros iniciaram uma atividade diferente: ser a voz que está atrás da linha de aconselhamento da Saúde 24.

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