"A duplicação de casos é quase inevitável e não há de demorar muito tempo"

Óscar Felgueiras, matemático e professor da Universidade do Porto, acredita que está para breve a duplicação de casos diários de Covid-19: poderá não ser na semana do Natal, mas deverá acontecer nos próximos dias.

A curto prazo Portugal pode ver duplicado o número de novas infeções diárias com o coronavírus, que, na quarta-feira, foi já próximo das seis mil (5800). Óscar Felgueiras, matemático e professor da Universidade do Porto, afirma, em declarações no Fórum TSF, que só falta prever o dia em que isso acontecerá, mas defende que não vai demorar.

"É quase seguro que em breve teremos a duplicação dos casos. Se é já para a semana do Natal ou não, isso não é tão evidente. A duplicação de casos... Isso é quase inevitável que ocorra e não há de demorar muito tempo."

O Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge estima que 10% das infeções no país sejam causadas já pela Ómicron, e o primeiro-ministro avançou que a nova variante deverá ser dominante em janeiro. Uma hipótese que é levantada por Óscar Felgueiras, que também realça que esse cenário se pode concretizar ainda em 2021. "Na semana de Natal, provavelmente teremos a variante já a ser dominante, portanto, para atingir a fasquia dos 50%. Vamos já notar certamente nos próximos dias um aumento de casos. A velocidade a que ela está a transmitir-se é muito superior à da Delta."

O que falta saber, acima de tudo, constata o matemático, é o impacto nos serviços de saúde do aumento exponencial desta nova variante. Os dados disponíveis são ainda são parcos e não permitem, segundo Óscar Felgueiras, tirar maiores conclusões. O professor refere que só é possível obter informações mais fidedignas sobre as consequências da Ómicron através da análise da situação epidemiológica no Reino Unido e na África do Sul.

"Na África do Sul, o contexto é bastante diferente, a população é bastante diferente da portuguesa, seja pela estrutura etária, seja pela cobertura vacinal muito menor, e o que se percebe é que há, de facto, aumento de hospitalizações. Também há aumento de óbitos, mas aparentemente, em proporção, muito menor ao do ano passado." O matemático analisa, no entanto, que, no território sul-africano, o "crescimento dos casos foi tão rápido que é natural que haja desfasamento nos internamentos", pelo que ainda não se sabe, de facto, o impacto que esta variante terá nos serviços de saúde.

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