A escola na ponta do dedo. Psicóloga deixa conselhos para aulas a partir de casa

Com esta pandemia, pela primeira vez, as crianças e jovens são privados de estarem na escola. Os efeitos desta situação só agora poderão ser estudados.

A partir de segunda-feira, as crianças e jovens vão iniciar uma nova e segunda experiência de ensino à distância. Em tempo de pandemia e de confinamento, os desafios são maiores para professores e alunos e o sucesso escolar é também posto à prova.

Ouvida pela TSF, a psicóloga Célia Oliveira, da Universidade Lusófona do Porto, defende que "ensinar à distância é muito mais do que reproduzir remotamente aquilo que se faz na sala de aula".

"O ensino à distância não deve ser a mera reprodução online de métodos e de estratégias do ensino presencial. É preciso realizar um conjunto de adaptações, diversificar as modalidades de ensino e de aprendizagem. Até a interação entre professor e aluno está sujeita a um conjunto de constrangimentos e de possibilidades, diferentes daqueles que se colocam presencialmente", indica.

Outra questão que pode ser discutida é se no ensino à distância será realista manter os mesmos objetivos que foram traçados para o ensino presencial. Esta especialista defende que "a aprendizagem, para ser duradoura e eficaz, deve apostar mais na qualidade do que na quantidade". Por isso, considera importante que sejam estabelecidos objetivos realistas e que sejam monitorizados os efeitos do ensino remoto na qualidade das aprendizagens.

Nesta altura, ainda não existem conclusões de uma avaliação prometida pelo Governo sobre o impacto da pandemia e da suspensão das aulas nas aprendizagens dos alunos e, por isso, não foram tomadas medidas preventivas.

A psicóloga admite que "quanto maior for o período de tempo em que as aprendizagens são perturbadas, maior é o risco de as crianças poderem desaprender matérias que ainda não estavam bem consolidadas". Célia Oliveira lembra que nem todos têm as mesmas ferramentas para aprender.

"Há ainda muitas crianças e jovens que não têm equipamento informático adequado para o ensino à distância, nem têm internet, e é preciso cuidar desses casos, porque pode ser recorrente a necessidade do ensino online", alerta.

Com esta pandemia, pela primeira vez, as crianças e jovens são privados de estarem na escola e de conviverem com os seus pares presencialmente. Os efeitos desta situação na formação social e afetiva só agora podem ser estudados.

A investigadora da Universidade Lusófona do Porto sublinha a importância de ser mantido, mesmo à distância, o contacto social entre os jovens, que considera "essencial como rede de partilha de experiências e de estratégias para lidarem com o confinamento e com as dificuldades escolares, mas também como fonte de suporte emocional".

Célia Oliveira, que também se dedica à investigação na área da memória, acredita que, para muitos alunos, a crise pandémica poderá ser recordada mais tarde como um período desafiante, mas que foi ultrapassado com sucesso, se os pais ou cuidadores contribuírem para essa perceção.

"Os estudos feitos com base em experiências de guerra, desastres naturais e depressões económicas mostram que as crianças não têm necessariamente de sair traumatizadas. Dependendo da forma como essas experiências foram vividas e do suporte social que tiveram, estas pessoas podem ser adultos psicologicamente equilibrados e adaptados socialmente", refere.

A psicóloga aconselha os pais a aproveitarem este período em que muitos estão em casa para criarem novas atividades e momentos de interação positiva com os filhos, defendendo que "mais importante do que a quantidade, é o tempo de qualidade que reservamos para essa interação".

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