A II Guerra Mundial também passou pelo Algarve

Desde a batalha aérea em Aljezur em que morreram sete aviadores alemães, ao faroleiro que espiava para os germânicos, e o aviador inglês que caiu num campo de milho, muitas são as histórias a que a região assistiu e vêm relatadas num livro.

Embora Portugal não tenha entrado na 2ª Guerra Mundial, pela orla marítima do Algarve, ao largo do Cabo de S. Vicente, passavam constantemente comboios navais e aviões. Tanto da frota alemã, como da parte dos Aliados.

O episódio mais conhecido é o do confronto aéreo nos ares de Aljezur entre alemães e ingleses, onde morreram sete aviadores germânicos que acabaram por ser enterrados na vila.

Mas, embora Portugal se afirmasse imparcial perante os dois lados da guerra, a "neutralidade" não era assim tanta. José Augusto Rodrigues, autor do livro "A Batalha de Aljezur", que relata o episódio, conta que no funeral "estiveram presentes representantes das Forças Armadas Portuguesas da altura, adidos militares e altas patentes alemãs que vieram com as suas fardas, o que causou alguma apreensão entre os habitantes de Aljezur", conta. O livro relata ainda que a câmara Municipal convocou todos os residentes na localidade para estarem no funeral e inclusive pediu aos patrões para que nesse dia libertassem os trabalhadores, de modo a aumentar o número de pessoas na cerimónia fúnebre. José Rodrigues tem descoberto várias histórias ao longo das suas pesquisas, tanto em arquivos locais como nacionais, e tem vindo a integrá-las no seu livro, que já vai na 4ª edição.

Uma delas é a do Faroleiro de Sagres, o sargento Francisco Regêncio, que passava informações sobre as movimentações navais aos alemães."Tinha equipamento que lhe foi fornecido pelos alemães e, inclusivamente, um rádio com os quais fazia contactos" com os representantes alemães em Lisboa. Por pressão do embaixador britânico em Lisboa, que chegou a ser recebido por António de Oliveira Salazar a este propósito, o faroleiro acabou por ser detido e esteve na prisão do Aljube.

Curioso pela história desses tempos no concelho de Aljezur, José Augusto Rodrigues relata também no livro o episódio caricato das duas vacas que foram atingidas involuntariamente por fogo de artilharia de um navio britânico. Os dois exemplares de gado bovino morreram, e o proprietário exigiu uma indemnização. A documentação sobre o assunto encontra-se na Torre do Tombo.

Há ainda a história do aviador inglês que, em 1943, foi obrigado a aterrar de emergência num campo de milho no Rogil, também concelho de Aljezur. " Ficou apenas ligeiramente ferido e alojou-se no única pensão que existia", relata." Segundo algumas testemunhas ainda me contaram, ele era bem parecido e as moças de Aljezur andavam sempre a espreitá-lo ", diz a rir.

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