A justiça portuguesa também está nos "holofotes do mundo" durante o julgamento de Rui Pinto

Ana Gomes espera que o julgamento que arranca esta sexta-feira traga "novidades" sobre crimes denunciados por Rui Pinto no Football Leaks e Luanda Leaks.

Ana Gomes espera que o julgamento de Rui Pinto, que arranca esta sexta-feira no Tribunal Central Criminal de Lisboa, traga novas revelações sobre os crimes denunciados pelo criador da plataforma eletrónica Football Leaks e denunciante do caso Luanda Leaks.

Em entrevista à TSF, a antiga eurodeputada diz "confiar na justiça portuguesa" para chegar a um veredicto favorável a Rui Pinto, mas considera "tão importante como a decisão final" as "novidades que vão ses conhecidas da opinião publica, que vão resultar da procura dos juízes de apurarem a verdade" no decorrer do julgamento.

Ana Gomes lamenta que Portugal não tenha aproveitado desde cedo a informação conseguida por Rui Pinto, enquanto as "autoridades de outros países atuaram contra a criminalidade e recuperaram milhões euros" provenientes de fugas ao Fisco."Em Portugal é que se perdeu tempo... Felizmente hoje Rui Pinto está a colaborar com as autoridades".

"Sabemos que grandes criminosos financeiros portugueses estão livres, como Ricardo Salgado e os seus capangas. E Rui Pinto, que denunciou muita da criminalidade relacionada com vários grupos financeiros e grupos económicos com ligações também ao BES foi o único que esteve a penar numa prisão preventiva absolutamente despropositada e desproporcionada", entre 22 de março de 2019 e 8 de abril deste ano.

Neste contexto, a embaixadora lembra que este é um julgamento decisivo também para a imagem da justiça portuguesa: a imprensa de todo o mundo está a seguir o caso de Rui Pinto, pelo que "o sistema judicial português está sob os holofotes de todo o mundo".

"Espero que as autoridades tenham isso em conta na definição de uma sentença justa e equilibrada", apela Ana Gomes, que testemunhará em tribunal a favor de Rui Pinto.

O pirata informático feito denunciante é hoje uma pessoa diferente, fruto das descobertas que foi fazendo, acredita Ana Gomes.

"Tenho a perceção que ele evoluiu", diz à TSF. "Num momento inicial se calhar andava apenas à procura da verdade desportiva. Era um jovem que queria saber se de facto aquilo que se passava nos jogos de futebol que ele seguia correspondia à realidade ou era manipulado."

"E tendo em atenção tudo o que ele viu e que encontrou, todo o mundo da criminalidade sofisticada que encontrou, penso que se foi sofisticando politicamente." Além disso, destaca, "o trabalho que fez durante anos em conjunto com os jornalistas do Der Spighel para publicar o Football Leaks deram-lhe outra consciência política da importância do seu trabalho como denunciante no combate contra a corrupção".

Já para a opinião pública, nota Ana Gomes, a revelação dos Luanda Leaks foi fundamental para mudar a perceção da sociedade em relação a Rui Pinto.

"Não é que muita gente já não soubesse nem tivesse dito muita coisa que devia ter merecido atenção por parte das autoridades portuguesas relativamente aos esquemas que tornavam Portugal a máquina de lavagem de dinheiro da cleptocracia angolana, mas é completamente diferente quando isso é dito e demonstrado em milhares de documentos e 'posto fora' para o mundo inteiro."

Também o o julgamento em tribunal terá uma influência direta na opinião pública, considera a ex-eurodeputada, apesar de muita comunicação social continuar a não tratar Rui Pinto como um denunciante".

"Infelizmente muita imprensa portuguesa ainda se refere a Rui Pinto como um 'hacker', tentado minimizar o seu trabalho, o seu papel, e à partida ter uma atitude condenatória da atitude de Rui Pinto", lamenta.

Ana Gomes conta visitou Rui Pinto na prisão e conheceu o seu pai e irmã. Garante que é um jovem "culto, calmo, focado, capaz". Mais: "Pode ser uma extraordinária mais-valia para as autoridades policiais e judiciais portuguesas, como elas próprias acabaram por se render a essa evidência."

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