À mesa do Baixo Guadiana, com muxama e enchidos

Depois da pandemia a Associação Odiana pretende promover produtos regionais e dar-lhes dimensão para serem exportados.

"Há 2 mil anos havia barcos romanos estacionados aqui", conta Jorge Raiado. É um dos produtores de sal de Castro Marim e está junto à sua salina de 10 hectares. A safra já acabou este ano mas com o clima do Algarve é possível extrair sal durante 4 meses consecutivos. Destas salinas, além do sal extrai-se a flor de sal, produto de excelência da zona do sotavento algarvio.

Contudo, estes são apenas dois dos produtos que a Associação de desenvolvimento local Odiana quer promover. Em colaboração com parceiros espanhóis está a levar a cabo o projeto "À Mesa do Baixo Guadiana, a serra, o rio e o mar". "Tivemos grande interesse por parte dos nossos pequenos produtores em participar", conta Sílvia Madeira, da Odiana. "Vamos promover estes produtos lá fora e cá dentro, mostrar que podem ser utilizados na nossa cozinha e também pelos chefs." E os produtos locais são variados: o figo, o mel, a amêndoa, queijo de cabra, enchidos, muxama e peixe, entre outros. O produto que está mais lançado é a flor de sal.

Encontra-se na moda e os chefes de cozinha já não prescindem de temperar com ela a comida.

Mas o projeto tenta no pós-pandemia dar maior "escala" a outros pequenos produtores dos concelhos de Alcoutim, Castro Marim e Vila Real de Santo António. A intenção é valorizar (pela comunicação, pelo design e até pela construção de parcerias) produtos que são únicos e feitos artesanalmente.

Embalagens de flor de sal do produtor Jorge Raiado vão estar em breve, por exemplo, nos menus executivos dos voos da TAP. Nalguns mercados uma embalagem de um quilo chega a custar cerca de 80 euros. Mas, mais do que vender caro, os produtores do Baixo Guadiana querem vender matéria-prima genuína. É o caso de Rui Jerónimo que cria porcos, faz enchidos e presunto. Tudo de forma tradicional. "Pegámos na tradição para a preservar e acreditando que os enchidos da serra do Caldeirão têm muito valor", afirma o produtor.

Para dar maior dimensão a todas estas iguarias a Odiana conta com a ajuda do chefe Rui Silvestre, natural desta região e que no seu restaurante de 1 estrela Michelin não se cansa de usar estes produtos. O chef apresenta exemplos: "fazemos uma canja de muxama, um prato de raia com amêndoas", conta. Produtos que, em seu entender, fazem a diferença na confeção dos pratos.

O projeto da Odiana é financiado por dinheiros europeus durante 3 anos.

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