"A velha Atena, deusa da sabedoria, foi a figura do ano 2020"

O ministro dos Negócios Estrangeiros destaca a deusa grega da sabedoria como a grande figura de 2020, "um ano de choque", mas que privadamente lhe correu muitíssimo bem: celebrou 40 anos de casamento.

Augusto Santos Silva começa por referir que lhe é "muito fácil" distinguir um balanço do ano do ponto de vista pessoal de outro sob o prisma profissional: "Se for do ponto de vista pessoal, este ano celebrei quarenta anos de casamento, portanto foi um ano particularmente feliz. Nem toda a gente pode beneficiar da paciência de que eu beneficio". Portanto, para o cidadão Augusto Santos Silva, do ponto de vista privado, "o ano correu muitíssimo bem".

Já do ponto de vista da vida pública, as coisas foram necessariamente diferentes: "Foi, evidentemente, um ano de choque que eu, aliás, costumo exemplificar com uma pequena história pessoal. Quando em janeiro - lembro-me como se fosse hoje, estava na Polónia - e passei praticamente o dia inteiro ao telefone com o nosso embaixador em Pequim, prestando pouca atenção à iniciativa em que estava, porque o objetivo era garantir que os portugueses que estavam em Wuhan eram repatriados, e quando ao fim desse dia nós conseguimos ter a garantia de que a operação europeia liderada pela França iria permitir o regresso dos portugueses que quisessem regressar, a sensação com que eu acabei o dia foi de um enorme alívio. No sentido de quem pensa que já está, este problema já foi resolvido. E agora, quando penso nisso, olha que... e nem digo a palavra, porque sou do Porto... olha que inconsciência, pronto".

O ministro dos Negócios Estrangeiros assume que, à época, "estava longe de imaginar que este vírus, de que pensava que tinha libertado uma vintena de portugueses, ia subitamente tornar-se... não digo que o espetro que assola o mundo como o Marx em 1848, porque não foi espetro, mas, sim, um pequeno bicho que devastou os nossos sistemas de saúde, as nossas relações sociais, que obrigou a mudar completamente o nosso regime de vida e causa tanto prejuízo e impacto negativo nas nossas economias", refere o MNE.

Como figura que simbolize o ano de 2020, e perante a impossibilidade de atribuir a alguém a autoria das vacinas contra a Covid-19, uma vez que se tratou de trabalho de várias equipas, o responsável máximo pela diplomacia portuguesa, recorre à mitologia clássica e elege "a figura da Atena na mitologia grega ou Minerva na mitologia latina, porque, evidentemente, foram a ciência e o conhecimento que nos permitiram ter tão rapidamente o maior instrumento de que nós dispomos hoje para combater a pandemia e recuperar as nossas vidas e as nossas economias, que é a vacina. Portanto, eu diria que foi a velha Atena a figura do ano 2020".

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