Investigação a abusos sexuais na igreja. Bispo e ex-presidente da Cáritas querem maior transparência

Resposta da igreja à investigação de denúncias de abusos sexuais no seio da igreja católica foi discutida esta sexta-feira no Fórum TSF.

A igreja não pode ter nenhum canto opaco. É o que defende Januário Torgal Ferreira, bispo emérito das Forças Armadas, que assegura que, por onde passou como bispo, nunca teve qualquer denúncia de abusos sexuais, mas defende que a igreja tem de ser totalmente transparente nestes assuntos.

A resposta da igreja à investigação de denúncias de abusos sexuais no seio da igreja católica foi discutida esta sexta-feira no Fórum TSF, depois de Daniel Sampaio ter denunciado pressões para calar as vítimas. O médico psiquiatra, que integra a comissão, pronunciou-se a título pessoal, mas deixou o alerta para tentativas de intimidação. Em resposta, D. Januário Torgal Ferreira disse que a instituição católica tem a obrigação de ser mais clara do que outras entidades envolvidas em casos semelhantes.

"A igreja não pode ter vãos invisíveis e não pode fazer jogo escondido. Se quiser ser respeitada como uma instituição igual a qualquer outra tem de ser muito mais humilde, verdadeira e digna. Não pode silenciar pessoas que foram profundamente cicatrizadas", explicou à TSF D. Januário Torgal Ferreira.

O bispo emérito das Forças Armadas saúda a coragem do atual presidente da conferência episcopal para procurar sanar esta ferida antiga na Igreja Católica. Concorda, com cautela, que é preciso afastar os sacerdotes que cometerem abusos.

"Não tenho a mínima dúvida, não quero é que a calúnia vença. Há mecanismos jurídicos. Conheço, noutras matérias, gente que foi caluniada", afirmou o bispo emérito das Forças Armadas.

Eugénio Fonseca, antigo presidente da Cáritas e um dos subscritores da carta enviada à Igreja Católica, defendeu no Fórum TSF uma investigação independente a alegados crimes sexuais e pediu mais objetividade à comissão que investiga estas denúncias. Eugénio Fonseca afirma que todos ganham com mais clareza quando o assunto são as pressões sobre vítimas ou tentativas de encobrimento destes casos.

"Gostaria que fossem progredindo no trabalho e trouxessem conclusões mais objetivas porque quando se diz que há quem não esteja a colaborar é um perigo muito grande, pode pôr em risco aqueles que estão a colaborar. Sou diocesano de uma diocese deste país e não sei se o meu bispo está a colaborar ou não. Fico triste e na dúvida. Os pronunciamentos da comissão, que está a trabalhar muito, muito bem, devem ser mais objetivos, não deixar nada de subjetividades no ar", acrescentou Eugénio da Fonseca.

A comissão independente para investigar abusos sexuais na igreja católica foi criada em janeiro. Já recebeu 300 denúncias e, dos testemunhos considerados válidos, pelo menos 16 já foram remetidos para o Ministério Público.

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