Acordo assinado no Algarve permite formar pessoas para abrir igrejas ao público

Esta é uma aposta da região num outro turismo.

É um projeto com que o Algarve quer avançar o mais rápido possível durante o próximo ano. Quarenta pessoas, sem trabalho, vão receber formação que lhes permitirá trabalhar em igrejas, abrindo-as aos turistas. João Fernandes, presidente do Turismo do Algarve, esclareceu os objetivos deste projeto.

"Um dos objetivos do programa é promover a requalificação profissional de pessoas em situação de desemprego e através de ações de formação, que depois desembocam num programa de apoio ao emprego, que tem garantida a empregabilidade de 70% de todos os formandos com aproveitamento. A ideia é que essas pessoas depois permitam também garantir condições de funcionamento às igrejas que estão abrangidas. Estamos a falar de oito igrejas em Alcoutim, Vila Real, Castro Marim e Tavira", explicou João Fernandes na Manhã TSF, numa entrevista com Fernando Alves.

Esta é uma aposta do Algarve num outro turismo.

"O turismo cultural, no seu todo, têm vindo a crescer. As pessoas começam a descobrir um Algarve que tem uma história que vale a pena conhecer e o mais interessante é que a região, antes do fenómeno do turismo, era mais rica no interior porque as terras eram mais férteis. A atividade económica desenvolvia-se no interior e não no litoral. Este património é fruto da riqueza que existia então e, portanto, hoje temos no interior muitas das igrejas que são mais exuberantes e interessantes do ponto de vista da visita", acrescentou o presidente do Turismo do Algarve.

Ao discursar na cerimónia de assinatura do acordo, o bispo do Algarve, D. Manuel Quintas, disse ter aderido "desde a primeira hora" a esta iniciativa, porque ela dá resposta a uma "necessidade há muito sentida" de permitir "a abertura organizada e qualificada" das igrejas e abre a possibilidade a "crentes e não crentes de desfrutar do rico património religioso e cultural de cada uma" das paróquias.

"Temos obrigatoriamente de nos unir para promover, valorizar e dar a conhecer o testemunho que nos legaram as populações algarvias ao longo de séculos e que está condensada precisamente nas suas igrejas, de modo eloquente e sábio, como souberam conjugar a fé, a arte e a cultura, num mosaico de manifestações plásticas às quais ninguém fica indiferente", afirmou ainda.

Este é um projeto "pioneiro" que tem o IEFP como um "parceiro-chave no enquadramento da formação" e que é "inovador" no que se refere a criação de um produto turístico como o turismo religioso, destacou o presidente da Comissões de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR) do Algarve, José Apolinário.

O presidente da AMAL, António Pina, disse, por seu turno, que o acordo celebrado "qualifica a região" do Algarve", porque a região "não é só sol e praia e tem de se qualificar e ter outras respostas" na oferta turística e mostrou-se "otimista" quanto à possibilidade de este projeto-piloto "se estender aos demais" municípios do distrito de Faro.

Já o presidente da RTA, João Fernandes, afirmou que este projeto, "sendo pioneiro, é um motivo de orgulho para a principal região do país" e mostra "como se pode aproveitar uma riqueza que é material e imaterial" para "dinamizar" o património que "simboliza e traduz" as raízes dos locais onde se encontra.

João Fernandes frisou que esta iniciativa também permite criar "novas motivações de visita à região que não estejam tão dependentes da sazonalidade", assim como "contrariar a hiperlitoralização" e "diferenciar" um destino que se insere "no espaço mais competitivo do mundo, que é o Mediterrâneo".

António Palma, do IEFP do Algarve, realçou a importância do projeto para "retirar pessoas do desemprego", quer sejam "pessoas de difícil integração, quer sejam pessoas com deficiência", e adiantou que este irá permitir dar "qualificação a 40 pessoas", com uma "componente de empregabilidade", que no futuro pode ser replicado noutros pontos da região.

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