Acordo ou nacionalização? O futuro da TAP decide-se esta quinta-feira

Tudo indica que acordo entre Governo e os acionistas privados da TAP vá travar a nacionalização da companhia aérea.

O futuro da TAP vai ser decidido esta quinta-feira em Conselho de Ministros, depois das negociações entre o Governo e os acionistas privados se terem prolongado ao longo da última noite.

Fonte muito próxima do processo garantiu esta quarta-feira à TSF que há uma grande vontade de evitar um cenário de nacionalização da companhia aérea e esta madrugada pode mesmo ter sido alcançado um acordo.

Segundo avança o jornal Eco, o Governo e a Azul terão alcançado um acordo de princípio, uma vez que a companhia aérea participada por David Neeleman terá abdicado da exigência do Executivo que determina a extinção do direito de converter 90 milhões de euros de um empréstimo feito à TAP em capital social.

O mesmo jornal ressalva que ainda faltam os últimos pormenores para as partes formalizarem o anúncio da decisão, mas garante que só uma rutura de última hora poderá impedir o acordo que evita a nacionalização da companhia aérea.

Em declarações à TSF, António Mendonça, antigo ministro dos transportes de José Sócrates, defende que a TAP é uma empresa "essencial" para o país - quer seja ela "privada, pública ou mista".

O antigo ministro lembra ainda que a TAP "não é uma empresa igual às outras", uma vez que "projeta a imagem do país a vários níveis"

A haver reestruturação tem de ser feita "nos moldes adequados", defende António Mendonça, que permitam "preservar os aspetos essenciais e a função essencial da empresa", mantendo a ligação com as comunidades e acautelando os impactos para os trabalhadores.

Também ouvido pela TSF, Pedro Brás Teixeira, diretor de estudos do Fórum para a Competitividade, nota que "tudo indica que a TAP esteja já em situação de falência técnica", pelo que dificilmente haverá empresas privadas interessadas em investir na companhia aérea.

O diretor de estudos do Fórum para a Competitividade considera que a TAP "tem de mudar drasticamente" o seu modo de funcionamento. Tem, por exemplo, "um número excessivo de pessoal de cabine", comparado com as as restantes companhias aéreas, o que pode explicar os resultados tão negativos dos últimos anos".

Se a companhia aérea "não conseguiu ter lucro no tempo das vacas gordas, agora sabemos que entramos no tempo das vacas magras para o turismo e para a aviação é preciso adaptar a TAP aos novos tempos", defende.

Por seu lado, José Reis, antigo secretário de Estado e professor na universidade de Coimbra, considera que a TAP não pode ficar à mercê de privados, com "lógicas de gestão baseadas em jogos de capitais e princípios especulativos que depois se revertem em custos públicos".

Já Borges Assunção, doutorado em gestão e professor na universidade Católica, defende que a nacionalização da TAP não é o caminho, mas sublinha a necessidade de uma intervenção pública na empresa.

Apenas com intervenção do Governo - "seja com que nome", não necessariamente 'nacionalização' - é possível impedir que os "ativos sejam dispersos" e evitar "um prejuízo enorme", defende.

Na cerimónia que assinalou a reabertura das fronteiras com Espanha, o primeiro-ministro sublinhou esta quarta-feira que a solução para a companhia aérea portuguesa será encontrada em breve.

"Estou certo de que, se não hoje, no limite, nos próximos dias, teremos uma solução final. Mas, se tivesse de apostar, eu diria que hoje será o dia da solução para a TAP, e espero que negociada e por acordo com os nossos sócios privados, e não propriamente com um ato de imposição do Estado", declarou António Costa, acrescentando: "Se for necessário, cá estaremos para isso. Espero que não seja necessário".

Isto depois de esta semana o ministro das Infraestruturas ter assumido "uma intervenção mais assertiva na empresa", após a proposta do Estado com as condições para um empréstimo de até 1.200 milhões de euros à TAP ter sido chumbada pelo Conselho de Administração, com abstenção dos empresários David Neeleman e Humberto Pedrosa.

"Se o privado não aceitar as condições do Estado português, nós temos de nacionalizar a empresa. Quer que nós deixemos a empresa cair? Ou quer ceder ao privado? Não vamos fazer nem uma coisa, nem outra", assegurou Pedro Nuno Santos, defendendo que "seria um desastre do ponto de vista económico e social o país perder a TAP".

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