Açores alargam horário de restaurantes nos concelhos com níveis de risco mais elevados

O Governo regional justifica a decisão com a taxa de vacinação (47% da população já está vacinada com pelo menos uma dose) e com as faixas etárias dos novos casos.

O Governo dos Açores alargou o horário de funcionamento dos restaurantes nos concelhos nos níveis mais elevados de risco de transmissão de SARS-CoV-2, justificando a decisão com a taxa de vacinação e com as faixas etárias dos novos casos.

"Há claramente uma repercussão etária da vacinação, protegendo os mais vulneráveis, sobretudo as pessoas com idade superior aos 50 anos. É entre os 50 e os 55 que estamos agora a vacinar e é com esta garantia do resultado da vacinação que também conseguimos adotar medidas mais leves naquilo que é o controlo da pandemia", afirmou hoje o secretário regional da Saúde e Desporto dos Açores, Clélio Meneses, numa conferência de imprensa, em Angra do Heroísmo.

Os restaurantes dos concelhos nos dois níveis de risco mais elevados (médio alto e alto risco) nos Açores estavam obrigados a encerrar às 20h00, o que motivou críticas dos empresários da ilha de São Miguel.

A partir das 00h00 de sábado, o horário de funcionamento dos restaurantes é alargado das 20h00 para as 22h00 nos concelhos de médio alto e de alto risco, mas os cafés mantêm-se encerrados nos de alto risco.

Nos concelhos em médio risco deixam de existir restrições à venda de bebidas alcoólicas entre as 20h00 e as 22h00, nos de baixo risco o horário é alargado das 22h00 para as 23h00 e nos de muito baixo risco mantém-se o funcionamento até às 23h59.

Quanto à proibição de circulação na via pública nos concelhos de alto risco, deixa de vigorar entre as 21h00 e as 05h00, passando a ser aplicada apenas a partir das 23h00, até às 05h00.

Segundo Clélio Meneses, além da taxa de vacinação (superior a 40% com a primeira dose, na ilha de São Miguel), a decisão teve por base o nível etário dos casos positivos, já que em janeiro se contavam 424 casos nos Açores em pessoas com mais de 50 anos e, em junho, esse número baixou para 111.

"Em janeiro, com mais de 80 anos, houve 32 casos, no mês de junho corrente são cinco casos; em janeiro, entre os 70 e os 79 anos, os Açores tiveram 43 casos, em junho corrente temos 12 casos; em janeiro, entre os 60 e os 69 anos, foram 139 casos, em junho, são 33 casos; e entre os 50 e os 59 anos de idade, em janeiro foram 210 e, em junho, são 61", exemplificou.

O governante destacou, por outro lado, "a redução do nível de internamentos e, sobretudo, da gravidade desses internamentos", lembrando que, neste momento, estão internados quatro doentes com Covid-19 nos Açores, nenhum em cuidados intensivos.

"As medidas não surgem por si, não surgem por uma decisão leviana ou insustentada, não surgem na sequência de pressões, surgem apenas de acordo com a evolução da pandemia e com a evolução da garantia que é dada pelo processo de vacinação", salientou.

Clélio Meneses disse ainda que houve um "compromisso" por parte dos empresários de que o cumprimento das regras de lotação, distanciamento e higienização das mãos nos restaurantes "será cada vez mais rigoroso".

De acordo com o número de novos casos de infeção por SARS-CoV-2 registados nos últimos sete dias, na ilha de São Miguel, os concelhos de Ribeira Grande e Lagoa estão em alto risco, Ponta Delgada em médio alto risco, Vila Franca do Campo em baixo risco e Nordeste e Povoação em muito baixo risco.

Os concelhos das restantes ilhas dos Açores, onde não está identificada transmissão comunitária, estão em muito baixo risco.

A avaliação dos níveis de risco na região tem por base um modelo alemão, de semáforos, e é calculado em função do número de novos casos de Covid-19 por 100 mil habitantes num período de sete dias.

Existem cinco níveis de risco: muito baixo (menos de 25 casos por 100 mil habitantes), baixo (entre 25 e 49 casos por 100 mil habitantes), médio (entre 50 e 74 casos por 100 mil habitantes), médio alto (entre 75 e 99 casos por 100 mil habitantes) e alto (mais de 100 casos por 100 mil habitantes).

Os Açores têm atualmente 291 casos ativos de infeção pelo coronavírus, que provoca a doença Covid-19, dos quais 269 em São Miguel, 11 na Terceira, oito no Faial, dois em São Jorge e um em Santa Maria.

Desde o início da pandemia foram diagnosticados na região 6.200 casos de infeção, tendo ocorrido 5.741 recuperações e 33 mortes. Saíram do arquipélago sem terem sido dadas como curadas 80 pessoas e 55 apresentaram comprovativo de cura anterior.

Foram administradas até ao momento 204.508 doses de vacinas contra a Covid-19 nos Açores, havendo 114.502 pessoas com, pelo menos, uma dose (47,2% da população, segundo dados da Pordata de 2019) e 90.006 pessoas com a vacinação concluída (37,1%).

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