Afinal, Algarve e Lisboa ainda estão longe do limite de camas ocupadas em cuidados intensivos

Limites divulgados há dias no relatório das linhas vermelhas estão desatualizados.

Ao contrário do que revela o relatório das linhas vermelhas feito pela Direção-Geral da Saúde (DGS) e pelo Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge (INSA), os responsáveis pelos cuidados de saúde no Algarve e em Lisboa e Vale do Tejo garantem que ainda têm uma boa margem para receber doentes com Covid-19 nos cuidados intensivos.

A explicação é adiantada à TSF, nomeadamente por Paulo Neves, da administração do Centro Hospitalar Universitário do Algarve. O documento das linhas vermelhas, publicado há três dias, diz que o Algarve já ultrapassou claramente a sua linha de cuidados intensivos, com 15 doentes internados, "150% do limite definido no mesmo relatório".

Paulo Neves detalha que existem neste momento 13 camas ocupadas no Algarve com doentes covid, havendo ainda capacidade para "ir quase até ao dobro", sem afetar a resposta aos doentes sem Covid-19.

Ao contrário daquilo que transparece no relatório das linhas vermelhas da pandemia, a administração dos hospitais algarvios do Serviço Nacional de Saúde (SNS) diz que a situação está controlada e não existe pressão.

"Neste momento a situação é de absoluta tranquilidade e controlo", com números que não têm variado muito nos internamentos, prevendo-se uma diminuição nas próximas semanas pois o número total de diagnósticos positivos de SARS-CoV-2 está em fase descendente na região.

Lisboa a 79% da capacidade

Pais Martins, responsável por coordenar a resposta dos cuidados intensivos em Lisboa e Vale do Tejo, também refere, à TSF, que os números escritos no último relatório das linhas vermelhas estão desatualizados.

O documento da DGS e do INSA fala num limite de 84 camas na região, mas o responsável garante que já existem 109 o que faz com que o número de doentes hoje internados nos cuidados intensivos em Lisboa e Vale do Tejo (86) apenas signifique uma ocupação a rondar os 79%.

"Ainda hoje numa reunião conjunta entre a comissão de acompanhamento da resposta nacional de cuidados intensivos, o grupo de gestão de camas e a Administração Regional de Saúde foi feita uma análise e foi pedido aos hospitais que alarguem ao máximo a resposta ao doente crítico covid, prejudicando o mínimo possível a atividade não-covid", explica Pais Martins.

A situação não é tão grave como parece pelo relatório das linhas vermelhas, mas o médico defende que é preciso parar os contágios sob pena de se tornar mais grave.

"A capacidade foi aumentada", mas Pais Martins garante que a capacidade de resposta não-covid mantém-se intacta pois este alargamento de camas aconteceu, sobretudo, à custa de um grande esforço de todos os profissionais do Serviço Nacional de Saúde (SNS)".

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