Agregação de freguesias: Argas unidas pela "Lei Relvas" não querem separar-se

A juventude "não para" ali e quem lá vive não tem problemas em dizer que "têm tão pouca gente que é bom".

Três freguesias da Serra de Arga, no concelho de Caminha, estão agregadas desde 2013 e mantêm a intenção de assim continuar. Segundo o presidente da União de Freguesias de Arga (de Baixo, Cima e S. João), Ventura Cunha, a aplicação da "Lei Relvas" decorreu de forma pacífica e a possível reversão até já foi discutida em assembleia de freguesia, mas em princípio a agregação é para manter. Juntas, as três aldeias, somam apenas cerca de 220 eleitores e a população reconhece que "são tão poucos" que mais vale estarem serem uma só.

"As Argas têm tão pouca gente que é bom. Só estamos velhos aqui. Vieram as vacinas e só se viam pessoas de idade, de 80, oitenta e tal e 90. [A união] Não foi má ideia, elas são perto umas das outras", considera Horácio Vale de 89 anos, dono da "Taberna do Horácio", em Arga de Baixo, acrescentando: "A juventude não para aqui. Há mais em Lisboa e arredores. Aqui já não há ninguém. Tenho lá família, filhos, e vivem lá bem, graças a Deus."

José Manuel Alves de 80 anos, também apoia a união das Argas. "Não há população nenhuma. Ter tanta gente empregada nas juntas, não valia a pena. Assim são três, um em cada freguesia e está tudo bem", comenta.

Ventura Cunha, autarca na Serra d'Arga desde muito antes da reforma administrativa de há dez anos, conta que a transição decorreu "sem dificuldades".

"Como são três Argas, temos um membro do executivo em cada ex-freguesia e damo-nos bem. Não temos problema nenhuma", refere, adiantando que, com apenas 220 eleitores, "é fácil lidar com as pessoas. São pacíficas e não arranjam grandes conflitos".

Comenta, no entanto, que apesar de a União de Freguesias de Arga de Baixo, Cima e S. João ser uma agregação de freguesias que "correu bem", outras existem que nem por isso. "Conheço casos em que, com a agregação, não têm sido feitas obras em algumas freguesias. São queixas que tenho ouvido e há mesmo alguns casos em que não se entendem de modo algum", conta, considerando ainda, mesmo quando funciona bem, que a união deixa a desejar em termos de ganhos.

"Quando foi dessa lei [Relvas] que saiu, dizia-se que ia ter muitas vantagens e as freguesias até iam receber mais dinheiro, mas acho que isso não veio a acontecer", conclui.

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG

Patrocinado

Apoio de