Dois mortos e sete feridos graves em acidente com alfa pendular em Soure

Alerta para o descarrilamento foi dado às 15h30.

Um alfa pendular que seguia no sentido Sul-Norte, com 212 passageiros, descarrilou na zona de Casalinhos, concelho de Soure, distrito de Coimbra, por volta das 15h30 desta sexta-feira após embater num veículo de reparação de catenárias, que estava na linha, e provocou dois mortos e mais de 40 feridos, sete dos quais com ferimentos graves. As vítimas mortais eram os operadores da máquina da REFER, contra a qual o comboio colidiu, e eram os únicos ocupantes da máquina. O maquinista ficou encarcerado.

Segundo o comandante distrital da Proteção Civil, Carlos Tavares, todos os feridos já foram retirados da composição e transportados para o Hospital de Coimbra. Os passageiros que saíram ilesos foram levados para um pavilhão desportivo em Soure, perto do local do acidente. Mais tarde irão retomar a viagem em Alfarelos, com destino a Braga.

"Uma das vítimas é um ferido mais grave, que mais cuidados nos inspira", revelou Carlos Tavares, em declarações aos jornalistas ao final da tarde.

No local estiveram 110 operacionais e 39 viaturas, entre elas cinco Viaturas Médicas de Emergência e Reanimação acionadas pelo INEM, duas Ambulâncias de Suporte Imediato de Vida, dois helicópteros, duas Unidades Móveis de Intervenção Psicológica de Emergência e duas Viaturas de Intervenção em Catástrofes.

No local, o INEM montou de imediato um posto médico para assistir os passageiros.

"O que montámos aqui é posto médico avançado, com capacidade de fazer uma triagem adequada das vítimas para podermos socorrer as que nos inspiram mais cuidados, que são a prioridade", explicou a responsável do INEM no local.

"Os feridos foram em número inferior ao que se esperaria para o que sucedeu"

Já ao final da tarde, o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, recusou pronunciar-se sobre o acidente, ressalvando que deve ser apurado pelos especialistas, mas deixou "uma palavra" ao presidente da Câmara Municipal de Soure, por ter disponibilizado "uma infraestrutura municipal" para acolher os feridos ligeiros resultantes deste acidente.

"Os feridos foram em número inferior ao que se esperaria para o que sucedeu", concluiu.

Marcelo mostrou também intenção de ir "inteirar-se" do estado dos feridos mais graves depois de marcar presença no funeral do bombeiro de Cuba, que morreu esta quinta-feira.

"Estamos a tentar procurar explicações"

O ministro das Infraestruturas, Pedro Nuno Santos, chegou ao local pouco antes das 19h e dedicou as primeiras palavras às vítimas mortais e respetivas famílias.

"São dois trabalhadores da Infraestruturas de Portugal, que fazem a manutenção da nossa rede ferroviária. Aquilo que se começou de imediato a fazer, através do gabinete de prevenção e investigação, foi investigar as causas para percebermos o que aconteceu e tirarmos todas as elações. Estamos a tentar procurar as explicações. Seria errado da minha parte estar a especular em público sobre as causas do acidente. Vamos deixá-los fazer o seu trabalho", começou por dizer Pedro Nuno Santos.

Sem previsões para a retoma da circulação na Linha do Norte, o governante disse que é necessário esperar para perceber em que condições fica a infraestrutura e sublinhou que o acidente não é razão para os portugueses perderem confiança neste meio de transporte.

"Obviamente que nós que acreditamos tanto na ferrovia temos de perceber e aprender com o que aconteceu para diminuir ainda mais o risco de acidentes na ferrovia que, como sabemos, é diminuto. A sinalização na nossa rede ferroviária é tecnologia avançada, mas não estou a retirar nenhuma conclusão", afirmou o ministro.

Para o responsável pela pasta das Infraestruturas, a ferrovia em Portugal deve continuar a ser sinónimo de segurança, até porque nunca se investiu tanto como nos últimos dois anos.

"O investimento na ferrovia está a fazer-se como há muitos anos não se via em Portugal", acrescentou Pedro Nuno Santos.

Linha do Norte sem perspetivas de reabertura

A circulação ferroviária entre as estações de Alfarelos e Pombal, na Linha do Norte, está sem perspetivas de reabertura, indicou fonte da CP - Comboios de Portugal.

Em declarações à Lusa, a mesma fonte adiantou que a empresa vai garantir "transbordo rodoviário" aos passageiros dos comboios em circulação.

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