Algas na praia? Universidade do Algarve tenta perceber se são espécies invasoras

O Centro de Ciências do Mar (CCMAR) criou a plataforma "algas na praia" onde pede ajuda aos banhistas para fornecerem informações.

Quem for por estes dias a algumas praias do Algarve tem que andar ou nadar alguns metros até não haver algas na água. Na rebentação e mesmo logo a seguir, existe uma espécie de alga pequena avermelhada que Rui Santos conhece bem. "Neste momento está a aparecer uma espécie que se chama asparagopsis armata que não é da nossa flora e veio da zona da Austrália", explica o investigador do CCMAR.

Rui Santos lembra que também já tem aparecido outra "alga acastanhada ,que vem dos mares asiáticos, da Coreia, do Japão". Por vezes, esse grande desenvolvimento de algas que se acumulam na areia começa a deitar mau cheiro.

A Universidade do Algarve e várias outras universidades encontram-se a estudar algumas dessas substâncias que aparecem em grandes quantidades no mar ou na areia. Têm um projeto que se chama "algas na praia" e pedem às pessoas que ajudem a preencher um breve questionário que aparece nessa plataforma na internet. Pretendem saber que algas existem, que dimensões atingem e quais são as condições ideais para se desenvolverem. E não só nas praias da região do Algarve. "Pedimos que tirem fotografias da praia em geral, para vermos a quantidade que existe, e depois também da alga na mão, para termos a noção da sua dimensão", explica Rui Santos.

O calor, nutrientes na água, o mar agitado que as faz arrancar das rochas ou até, muitas vezes, a descarga de efluentes são situações que contribuem para que essas algas se desenvolvam.

Mas como chegam até cá algas que são originárias da Austrália ou do Japão? O investigador do Centro de Ciências do Mar da Universidade do Algarve explica que podem até vir agarradas aos cascos dos navios, mas também através da importação de ostras. "O Japão é um veículo muito importante para introduzir essas espécies na Europa e nos Estados Unidos", revela.

Contudo, nem tudo é mau e estas espécies até podem vir a ser úteis. Na Universidade do Algarve, o projeto Nutrisafe, coordenado pela professora Dina Simes, estuda como algumas destas algas podem servir para criar suplementos alimentares ou medicamentos para combater as inflamações crónicas.

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