"Alguma perplexidade." Junta de Lisboa condena arraial na Praça do Município

Autarquia de Santa Maria Maior referiu ainda que a iniciativa permite que uma entidade privada possa "fazer concorrência às coletividades e às pessoas dos verdadeiros bairros populares".

A Junta de Freguesia de Santa Maria Maior, em Lisboa, contestou a realização de um arraial na Praça do Município, entre esta quinta-feira e domingo, mas a câmara municipal assegurou o respeito pela tradição das festas populares da cidade.

Em causa está um comunicado da Junta de Freguesia de Santa Maria Maior, presidida por Miguel Coelho (PS), sobre a realização na Praça do Município de "um arraial de sardinha assada promovido por uma entidade privada e com o beneplácito da Câmara Municipal de Lisboa", no qual o autarca afirma ter recebido essa informação "com alguma perplexidade".

"Nunca a Junta de Freguesia de Santa Maria Maior licenciou arraiais fora do seu espaço natural e tradicional e muito menos em áreas do território que, pela sua monumentalidade e dignidade arquitetónica e institucional, deverão ser utilizadas para outras funções", apontou a autarquia.

No comunicado compara-se esta decisão "desadequada" com o eventual caso de o próximo 05 de Outubro - Implantação da República ser celebrado na Rua das Farinhas ou no Largo do Salvador em vez de ser na Praça do Município.

A autarquia de Santa Maria Maior referiu ainda que a iniciativa permite que uma entidade privada possa "fazer concorrência às coletividades e às pessoas dos verdadeiros bairros populares, desvirtuando uma tradição secular e abastardando festejos que têm um cariz e uma autenticidade que importa acarinhar e preservar", condenando a decisão da câmara de autorizar um arraial na Praça do Município.

Em resposta, o gabinete do presidente do executivo camarário, Carlos Moedas (PSD), indicou que "o arraial é promovido pela Câmara Municipal de Lisboa em parceria com a Associação de Dinamização da Baixa Pombalina" e está previsto ocorrer "apenas de 02 a 05 [de junho], quatro dias", ou seja, entre hoje e domingo.

"Os arraiais populares nos bairros históricos e outras zonas da cidade têm, na sua maioria, a duração do mês de junho, sendo que o arraial em apreço [na Praça do Município] terá a duração de apenas quatro dias, respeitando a tradição de arraiais da cidade apesar de contrapor com o histórico dos arraiais em bairros históricos, que congregam muitas pessoas pela sua longa tradição e existência", defendeu a Câmara Municipal de Lisboa, em resposta escrita à agência Lusa.

Segundo a programação Cultura na Rua, preparada pela Empresa de Gestão de Equipamentos e Animação Cultural (EGEAC), o arraial na Praça do Município é organizado também com o apoio do estabelecimento Banana Café e decorre nesses quatro dias, no máximo até à 01:00, ainda que hoje e domingo seja até às 24:00, "com sardinhas, caldo verde e muito mais" e "a música ambiente acompanha o repasto".

"O arraial decorre dentro do cumprimento das condições aplicáveis, designadamente de ocupação de espaço público e licença de ruído, bem como de higiene e segurança", assegurou o gabinete de Carlos Moedas, referindo que este evento da Câmara Municipal de Lisboa pretende manifestar-se como "um apoio e regresso às festas da cidade, daí que tenha uma duração curta".

Sobre o histórico relativamente à realização de eventos deste tipo neste espaço, também designado como Paços do Concelho, a câmara afirmou que "na Praça do Município já se realizaram algumas iniciativas deste âmbito, designadamente um mercado de Natal".

Para a autarquia de Santa Maria Maior, festejar os santos populares na Praça do Município num arraial promovido por "um qualquer operador turístico" é uma decisão desadequada e que "só revela uma enorme falta de respeito pelas populações que aqui vivem e trabalham e, até, pela integridade do património desta freguesia".

Depois de dois anos de paragem forçada devido à pandemia de Covid-19, as Festas de Lisboa voltam a realizar-se este ano, um pouco por toda a cidade, entre 28 de maio e 30 de junho, com arraiais, marchas populares e casamentos de Santo António, assim como concertos, cinema, teatro e exposições.

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