Alimentos para famílias mais carenciadas vão ser mais variados (e saborosos)

Milhares de famílias portuguesas apoiadas com comida pelo Fundo de Auxílio Europeu às Pessoas Mais Carenciadas vão ainda receber receitas para saber cozinhar, com sabor, os alimentos que recebem.

Os cerca de 60 mil cabazes de alimentos dados às famílias portuguesas mais carenciadas vão mudar e além de alterações na comida oferecida as famílias também vão receber receitas para saberem cozinhar, de forma saudável e saborosa, a alimentação que recebem.

As mudanças são propostas pela Direção-Geral da Saúde, no âmbito do Programa Nacional para a Promoção da Alimentação Saudável (PNPAS) em colaboração com o Instituto da Segurança Social.

Estes cabazes começaram a ser distribuídos há ano e meio no âmbito do Fundo de Auxílio Europeu às Pessoas Mais Carenciadas.

O diretor da Faculdade de Ciências da Nutrição e da Alimentação da Universidade do Porto, Pedro Graça, um dos autores da proposta para mudar os cabazes entregues às famílias, explica que a ideia foi avaliar o sucesso e eficácia destes cabazes, percebendo aquilo que as famílias preferiam e os desperdícios que existiam.

A avaliação encontrou alguns alimentos que eram distribuídos mas que as pessoas não consumiam por não gostarem ou por não estarem habituadas a consumi-los.

Sentiu-se a necessidade de modificar o cabaz, mantendo a capacidade nutricional dos alimentos.

No novo modelo existirão dois e não apenas um cabaz, para potenciar a variedade, evitando a monotonia na alimentação.

Pedro Graça dá o exemplo dos vegetais e alguns tipos de peixe que eram "pouco queridos, rejeitados, pouco consumidos".

Os novos cabazes terão menos brócolos, espinafres ou conservas, passando a conter mais ervilhas, azeite, leite, carne de frango, pescado e ovos.

"Oferecer o peixe e também ensinar a pescar"

Outro problema que a avaliação ao consumo dos cabazes detetou foi que com frequência as famílias recebiam os alimentos e não os sabiam cozinhar ou pelo menos não o sabiam fazer de forma a que as refeições fossem saborosas, não acreditando que era possível terem almoços e jantares saborosos com a alimentação oferecida.

O especialista em nutrição explica que "não há motivo nenhum para que as famílias que recebem esta ajuda não possam ter refeições saborosas e fáceis de fazer, com produtos que protegerão a sua saúde", pelo que agora as famílias também vão receber receitas feitas por um chef que colabora com a Direção-Geral de Saúde.

As receitas usam apenas os alimentos dados no cabaz oferecido às pessoas mais carenciadas, num modelo de programa de apoio que segundo Pedro Graça "oferece o peixe mas também ensina a pescar".

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