"Altamente perigoso." Sem novo contrato com a Altice não se pode manter serviço do SIRESP

A Altice Portugal é a fornecedora da operação, manutenção, gestão e também do alojamento de muitos 'sites' do SIRESP.

O presidente da Altice Portugal, Alexandre Fonseca, afirmou esta quarta-feira que, sem um novo contrato, mesmo que quisesse, a empresa não poderia manter o SIRESP e reiterou que o serviço cessa a 30 junho, se nada mudar.

"Mesmo que quiséssemos, numa lógica de procurarmos assegurar a proteção das pessoas, nós não o podemos fazer porque não temos qualquer enquadramento contratual e não podemos prestar esse serviço ao Estado, ao SIRESP, sem esse enquadramento contratual", afirmou.

Alexandre Fonseca falava na Covilhã, distrito de Castelo Branco, onde esteve esta quarta-feira para lançar uma nova parceria entre a Altice, a Microsoft e a Hewlett Packard Enterprise (HPE).

A sessão coincidiu com o dia em que foi publicada uma entrevista daquele responsável à agência Lusa e ao Diário de Notícias (DN) e na qual afirmou que, no que depende da Altice, o Serviço SIRESP termina no dia 30 de junho, dado não existe qualquer contacto sobre a continuidade do contrato.

"O que eu posso dizer é que estamos a dois meses e meio do fim do contrato", afirmou Alexandre Fonseca, na conversa com a Lusa e o Diário de Notícias (DN), quando questionado sobre o tema do SIRESP, do qual a dona da Meo é fornecedora de serviços.

Na Covilhã, à margem da sessão, Alexandre Fonseca voltou a ser questionado sobre o tema, tendo assumido a "preocupação" da Altice com o facto de "a apenas dois meses e meio do final do contrato não existir ainda uma perspetiva de continuidade".

Ressalvando que não sabe se é intenção da SIRESP manter o serviço Alexandre Fonseca salientou a complexidade do mesmo para explicar que" há questões que já serão difíceis de garantir", mesmo que as negociações comecem imediatamente.

"Não é em meia dúzia de semanas que conseguiremos, com certeza, garantir essa continuidade", frisou.

Aida assim, salvaguardou que também não é "impossível": "Não estou a dizer que é impossível, estou a dizer que o tempo urge e, se há essa perspetiva de continuidade, com a Motorola, com a Altice Portugal, com os seus parceiros, pois teremos de falar nas próximas horas".

Caso tal não aconteça, e se nada mudar, Alexandre Fonseca garante que o serviço cessa no dia e hora marcados.

"[Se nada mudar], do lado da Altice Portugal, no dia 30 de junho, às 23 horas 59 minutos e 59 segundos, vamos cessar a prestação do serviço, até porque não podemos prestar serviço", concluiu.

A Altice Portugal é a fornecedora da operação, manutenção, gestão e também do alojamento de muitos 'sites' do SIRESP.

Já a Liga dos Bombeiros Portugueses nem quer acreditar que pode estar em causa o funcionamento do SIRESP, pelo facto de não haver, nesta altura, negociações em curso entre a Altice e o Governo.

Em entrevista ao DN, o CEO desta operadora admite que o sistema de comunicações de emergência pode ter um fim à vista, uma vez que a empresa não teve "qualquer tipo de contacto por parte do SIRESP" sobre a continuidade do contrato. Alexandre Fonseca antevê, por isso, que a rede deixe de funcionar a partir do dia 30 de junho. Este cenário é impensável para Jaime Marta Soares. O presidente da Liga considerou, em declarações à TSF, que seria um erro inadmissível se tal acontecesse.

Jaime Marta Soares já tentou contactar a secretária de Estado da Proteção Civil, mas ainda não conseguiu falar com Patrícia Gaspar. O presidente da Liga dos Bombeiros Portugueses espera que tudo isto não passe de um mal-entendido, porque não faz sentido pensar numa mudança de operador.

No início de novembro, o ministro da Administração Interna, Eduardo Cabrita, admitiu o prolongamento do contrato de concessão da rede de emergência SIRESP com os operadores provados depois de junho deste ano.

Na altura, durante a discussão na especialidade do Orçamento do Estado para 2021, Eduardo Cabrita explicou aos deputados que o prazo contratual com os operadores privados termina em junho de 2021 e, naquele momento, um grupo de trabalho criado pelos ministérios da Administração Interna e das Finanças estava a discutir o futuro modelo do Sistema Integrada das Redes de Emergência e Segurança de Portugal (SIRESP).

O Estado comprou por sete milhões de euros a parte dos operadores privados, Altice e Motorola, no SIRESP, ficando com 100%, numa transferência que aconteceu em dezembro de 2019.

Desde essa altura que o Estado tem um contrato com a Altice e Motorola para fornecer o serviço até junho de 2021.

Depois dos incêndios de 2017, quando foram públicas as falhas no sistema, foram feitas várias alterações ao SIRESP, passando a rede a estar dotada com mais 451 antenas satélite e 18 unidades de redundância elétrica.

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG

Patrocinado

Apoio de