"Altamente preocupante." Doentes oncológicos sentem-se relegados na vacinação contra a Covid-19

A Liga Portuguesa Contra o Cancro manifesta incompreensão face à lista divulgada pelo Ministério da Saúde, relativa aos grupos prioritários para receberem a vacina contra a Covid-19, e acredita que haverá uma "mortalidade acrescida, desnecessária, dos doentes".

Ouvidos os detalhes do plano de vacinação para a Covid-19, a Liga Portuguesa Contra o Cancro diz estranhar que os doentes oncológicos tenham ficado fora das primeiras prioridades.

Vítor Veloso, secretário da Liga, considera a notícia "altamente preocupante, aliás como outras situações relativamente aos doentes oncológicos, que normalmente são sempre relegados para segundo plano". O responsável caracterizou esta não inclusão dos doentes com cancro na primeira fase de vacinação a confirmação de "um hábito desta Tutela", e alerta para que venha a surgir uma "mortalidade acrescida, desnecessária, dos nossos doentes".

"Todos aqueles pequenos ganhos que nós tínhamos conseguido durante os últimos anos vão por água abaixo. Nós vamos precisar, se tudo correr da melhor maneira, de dois ou três anos para reconquistarmos aquilo que efetivamente existia no princípio desta pandemia."

Já Henrique Veiga Fernandes, imunologista e investigador da Fundação Champalimaud, admite que há motivos para reservas quanto à capacidade de resposta do sistema. "Esperemos que, de facto, o Serviço Nacional de Saúde e os centros de prestação de cuidados de centro de saúde consigam dar uma resposta atempada e eficiente a estes protocolos de vacinação", começa por dizer o imunologista, que diz ter "algumas reticências ou preocupações, porque todos sabemos qual tem sido a resposta do Serviço Nacional de Saúde neste período difícil para todos".

Na perspetiva de Henrique Veiga Fernandes, o SNS "nem sempre tem estado à altura dos ditos doentes não-Covid", mas nesta fase "o Governo e as entidades merecem perfeitamente o benefício da dúvida".

Quanto à lista de prioridades para este método da medicina preventiva, o investigador acautela: "No mundo ideal, em que teríamos vacinas para todos, com certeza que esses grupos estariam logo numa primeira linha."

"Não vamos ter esse número de vacinas logo nos primeiros três meses. Temos claramente de estabelecer prioridades." Ainda assim, Henrique Veiga Fernandes acredita que a quantidade de pessoas vacinadas será suficiente para reverter a tendência de progresso da pandemia. "Esses grupos, particularmente os doentes oncológicos, não têm representado um grupo de muito risco, mas estou convencido de que uma fração muito significativa da população portuguesa estará vacinada e que iremos finalmente conseguir estancar esta progressão muito rápida de epidemia, de cada vez que levantamos as medidas de confinamento", elucida.

O imunologista sustenta que a versão final do plano de vacinação para a primeira fase "consegue na realidade um equilíbrio bastante inteligente, e dentro das medidas do possível, e com o conhecimento que nos foi dado, um plano que à partida nos permitirá combater e olhar para os primeiros meses do ano com bastante otimismo".

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