Alunos estrangeiros dispensados de outras aulas para dar prioridade ao português

Um despacho do Diário da República, publicado esta quarta-feira, permite que os alunos estrangeiros sejam dispensados de algumas disciplinas para frequentar mais aulas de português como língua não-materna.

Os alunos estrangeiros vão ser dispensados de frequentarem algumas disciplinas para poderem aprender devidamente o português. As regras mudaram com a publicação de um despacho em Diário da República, esta quarta-feira.

À TSF, João Costa, secretário de Estado adjunto e da Educação, disse que o objetivo da medida é "dar a possibilidade de haver um forte acrescento do português como língua não materna" e depois permitir que os alunos estrangeiros entrem "progressivamente nas outras disciplinas" do currículo escolar. Com isso, esperam que exista "muito mais ensino do português" e, depois, "quando já estão em condições de acompanhar", os alunos já possam "fazer uma entrada mais gradual no restante currículo".

João Costa deu o exemplo de um aluno nepalês que "só fale nepalês" e questionou: "Este aluno vai ter todas as disciplinas do currículo chegando a meio do ano e fazemos de conta que ele está a acompanhar as outras disciplinas ou não valerá a pena salvar este meio ano em que está a chegar com uma dose muito grande de português língua não materna para no ano seguinte estar mais capaz de acompanhar o currículo?".

O secretário de estado adjunto e da educação afirmou à TSF que a iniciativa partiu das próprias escolas. São também as próprias instituições de ensino a decidir quais as disciplinas que os alunos estrangeiros devem frequentar, decidindo caso a caso as "disciplinas específicas que os alunos podem frequentar para estarem em contacto com os seus colegas, mas que o seu desempenho académico não seja comprometido por não ter acesso ao português".

Por exemplo, "a educação física e uma disciplina na área das artes", na opinião de João Costa, "pode ser uma disciplina que está com um conhecimento mais limitado da língua do que uma disciplina como a filosofia, em que a densidade das leituras que são propostas já pede um conhecimento mais profundo" do português.

À TSF, o secretário de estado adjunto e da educação adiantou que não está prevista a contratação adicional de professores.

O presidente da Associação Nacional de Diretores de Agrupamentos e Escolas Públicas, Filinto Lima, "congratula" as novas regras para os alunos de língua não materna portuguesa, mas considera que vai ser preciso "mais professores e mais recursos humanos".

Apesar da adoção da nova medida, Filinto Lima diz que as escolas já têm feito "este trabalho de há um tempo a esta parte", porque existem "bastantes alunos de inúmeros países de línguas maternas muito diferentes".

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